A análise de Luís Ribeiro, Administrador do novobanco
Os resultados deste último Barómetro exprimem a continuação de um optimismo moderado na economia portuguesa. As projecções mais recentes apontam para um crescimento em torno de 2% em 2026, acima dos 1,2% esperados para o conjunto da Zona Euro. Esta evolução deverá ser determinada, em grande medida, por um maior contributo do investimento, com a execução do PRR a ter que ser acelerada. Embora esta deve ter uma tradução mais visível na expansão do investimento público, esperam-se também efeitos de spillover sobre o sector privado. Alguma recuperação das exportações, depois de um ano marcado pela incerteza e disrupção das tarifas dos EUA, poderá também suportar a despesa de capital das empresas. Em particular, Portugal pode beneficiar dos efeitos indirectos de uma política orçamental mais expansionista na Alemanha. Por último, mas não menos importante, o ambiente económico global mais competitivo gerado pelos rápidos desenvolvimentos tecnológicos deveria forçar, também, alguma proactividade das empresas nas suas decisões de investimento. O Barómetro sugere que 56% das empresas planeia aumentar o investimento em 2026; e que 54% vai investir mais em Inteligência Artificial. É fundamental criar condições para atrair investimento (doméstico e externo) de uma forma mais permanente e expressiva. Só assim se conseguirão ganhos de produtividade que permitirão aumentar o rendimento de forma sustentada e resolver uma série de problemas de que a economia portuguesa sofre (incluindo os ligados à habitação e à saúde). Em 2024, Portugal esteve entre os 10 principais países europeus na atracção de investimento directo estrangeiro, com mais de 45% dos projectos associados a software e serviços de IT e/ou a serviços profissionais e às empresas. Estes são resultados positivos, que vão contribuindo gradualmente para uma recomposição da economia portuguesa no sentido de um maior valor acrescentado (nas empresas, no mercado de trabalho, na produção). Mas há ainda muito caminho para fazer. Neste contexto, é positivo que o Barómetro identifique a eficiência do Estado, a educação e competências, e as novas tecnologias como as principais prioridades para o desenvolvimento (no mesmo sentido, é também positivo que o cluster da economia azul, potenciando as vantagens comparativas da economia portuguesa, seja destacado).
Testemunho publicado na edição de Fevereiro (nº. 239) da Executive Digest, no âmbito da XLVI edição do seu Barómetro.














