A bolsa de Nova Iorque encerrou hoje em queda, no final de mais uma semana marcada por uma forte subida dos preços do petróleo e do conflito no Médio Oriente, que reacende os receios de inflação.
Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average caiu 0,26%, para 46.558,47 pontos, o Nasdaq Composite, com uma forte presença de empresas tecnológicas, recuou 0,93%, para 22.105,36 pontos, e o índice S&P 500, mais abrangente, caiu 0,61%, para 6.632,19 pontos.
Observando uma estabilização nos preços do petróleo na abertura, “o mercado tentou uma recuperação esta manhã, mesmo sem sinais de um fim para a guerra no Irão”, observou José Torres, da Interactive Brokers.
Esta recuperação durou apenas uma pequena parte da sessão, com as ações a voltarem a operar em terreno negativo face à subida dos preços dos hidrocarbonetos.
“Com os Estados Unidos a falharem a escolta de navios através do Estreito de Ormuz, o seguro norte-americano a revelar-se ineficaz e as empresas a decidirem suspender as suas operações de transporte marítimo, estamos a entrar numa grave crise de abastecimento”, apontou Sam Stovall, da CFRA, à agência France-Presse (AFP).
A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou num relatório divulgado na quinta-feira que a produção dos países do Golfo caiu cerca de 30%, ou 10 milhões de barris por dia.
A navegação pelo Estreito de Ormuz, uma via navegável crucial para as exportações de hidrocarbonetos da região, continua a ser praticamente impossível.
O preço do petróleo Brent, a referência internacional, subiu mais de 42% desde o primeiro dia da guerra no Médio Oriente, a 28 de fevereiro.
Já os índices norte-americanos registaram uma queda moderada no mesmo período: cerca de 3,6% para o S&P 500 e 4,9% para o Dow Jones, os seus níveis mais baixos desde novembro.
“Ou isto sugere que a situação não será tão grave como antecipamos para a economia dos EUA, ou simplesmente significa que Wall Street está a ignorar as verdadeiras implicações negativas que esta interrupção no fornecimento pode ter no mercado bolsista e na economia”, frisou Sam Stovall.
No mercado obrigacionista, a tensão manteve-se palpável e a taxa dos títulos do Tesouro dos EUA com maturidade a 10 anos, a referência para o mercado, estava em 4,28% por volta das 20:25 (hora de Lisboa), em comparação com 3,94% antes dos primeiros ataques israelo-americanos no Irão.
Estas taxas, juntamente com as definidas pela Reserva Federal (Fed), orientam os custos de empréstimo para as famílias norte-americanas.
Os analistas esperam agora que o próximo alívio monetário da Fed ocorra em outubro, em vez de junho, como previsto anteriormente, de acordo com a ferramenta de monitorização CME FedWatch.
Os participantes do mercado norte-americano também reagiram hoje a uma série de novos indicadores, incluindo números do PIB significativamente abaixo das expectativas para o último trimestre de 2025, o que provocou movimentos marginais nos preços.
No âmbito empresarial, a empresa de software Adobe (-7,58%, para 249,32 dólares) enfrentou dificuldades após o anúncio da iminente saída do seu CEO, que liderou a empresa durante quase vinte anos.
Esta perspetiva ofuscou os resultados melhores do que o esperado da Adobe para o primeiro trimestre do seu ano fiscal.
A retalhista de cosméticos Ulta Beauty (-14,24% para 535,72 dólares) também registou uma queda devido ao desempenho trimestral dececionante.



