O grupo alemão tinha começado a intensificar as operações nas suas instalações em Wolfsburgo – modificadas para impedir a propagação do Covid-19 – no passado dia 27 de abril com o regresso à laboração de quase 8.000 trabalhadores.
Mas devido à fraca procura por carros novos no mercado europeu, a construtora alemã decidiu que nos próximos dias irá interromper a produção dos Golf VII e VII, assim como dos VW Tiguan e SEAT Tarraco.
Numa entrevista interna visionada pelo Financial Times, Arne Meiswinkel, gerente da Volkswagen, afirmou que a empresa precisa de “alinhar a produção com as flutuações esperadas do mercado”. Acrescentando que o grupo “tem a flexibilidade necessária para adaptar a produção à situação atual repetidas vezes”.
Na Alemanha, onde dispõe de várias fábricas, a Volkswagen viu cerca de 45 mil dos seus funcionários regressarem ao trabalho nas últimas semanas – onde 35 mil deles irão permanecer no esquema de trabalho “tempo curto” (Kurzarbeit em alemão) patrocinado pelo Estado germânico até, pelo menos, finais de junho.
No mês passado, ao reabrir a fábrica de Wolfsburg, o diretor de operações da marca, Ralf Brandstätter, alertou que “é necessário um período adicional de tempo para estimular a procura na Alemanha e em toda a Europa, de modo a que os volumes de produção possam voltar a aumentar”.
No entanto, enquanto as vendas da VW na China começam a recuperar para os níveis registados em 2019, as receitas na Europa foram praticamente nulas. França, Itália, Espanha e Reino Unido venderam apenas 3% de seus volumes habituais em abril, enquanto o maior mercado de automóveis da Europa, a alemã, sofreu uma queda de 61%.
Na quarta-feira, a Moody’s cortou drasticamente a sua previsão de vendas globais de automóveis, prevendo que o mercado irá encolher um quinto em 2020 e até 30% na Europa Ocidental.
“Embora a produção de automóveis tenha sido reiniciada na Europa, os concessionários de alguns países permanecem fechados e a procura provavelmente irá continuar muito fraca”, alertou a agência de classificação. “O que irá acontecer em seguida dependerá muito da extensão do apoio do governo”.
Para contornar o problemas, o lóbi alemão do setor automóvel na Alemanha está a pedir a Berlim para que reintroduza um bónus de abate de veículos já implementado em 2009, durante a última crise financeira, e que levou a um ano recorde de vendas de carros no país.
No entanto, uma reunião na semana passada entre os executivos da VW, BMW e Daimler e Angela Merkel terminou sem qualquer tipo de compromisso. Uma nova reunião deverá acontecer em junho.




