A vacinação indevida tem sido um tema quente ao longo dos últimos dias, mas não é um problema exclusivo de Portugal. Também em Espanha, por exemplo, há registo de casos de vacinas administradas a pessoas que não faziam parte dos grupos prioritários, resultando mesmo em demissões. O conselheiro de Saúde de Múrcia, a sua mulher e altos funcionários foram vacinados contra a COVID-19 embora não integrem a primeira fase do plano de vacinação, segundo adianta a SIC.
No total, já foram vacinadas mais de 400 pessoas que não deviam ter recebido para já esta ferramenta de combate à propagação do novo coronavírus. Além do conselheiro de Saúde, também o chefe das Forças Armadas e membros de vários partidos políticos do país vizinho já se demitiram na sequência da polémica. Para evitar que situações como esta se repitam, o Ministério da Saúde de Espanha informa que reforçou as medidas.
Na Áustria, o mesmo cenário. De acordo com a SIC, há relatos de vacinas administradas em vários presidentes de Câmara, familiares de cuidadores de idosos e funcionários que não pertencem aos grupos prioritários. Justificam a decisão com o objectivo de aproveitar as doses que sobraram, evitando o seu desperdício – recorde-se que, depois de descongelada, a vacina tem um prazo máximo de utilização de 120 horas.
A mesma justificação está a ser apontada noutros países, incluindo o Reino Unido, onde o deputado conservador Brendan Clarke-Smith assume ter sido vacinado após ter feito voluntariado num centro de vacinação. Afirma que a dose que tomou teria acabado no lixo.
Por cá, o Ministério Público anunciou ontem que abriu inquéritos para apurar alguns dos casos de alegado desvio de vacinas. “Das pesquisas efectuadas foi possível apurar, até ao momento, que o Ministério Público já decidiu pela instauração de inquéritos relativamente a alguns dos casos vindos a público, desde logo os respeitantes à Segurança Social de Setúbal, ao INEM de Lisboa, ao INEM do Porto e a factos também noticiados ocorridos em Portimão (Centro de Apoio de Idosos), Vila Nova de Famalicão, Arcos de Valdevez, Bragança, Seixal e Montijo”, lê-se numa nota da Procuradoria-Geral da República.












