Embora não seja tão concorrido e relevante como o Salão de Detroit, primeiro de cada ano, o certame de Nova Iorque tem igualmente um papel bastante importante para a indústria automóvel norte-americana.
A edição deste ano não foi diferente e trouxe consigo diversas novidades, focando-se essencialmente em duas vertentes – a dos desportivos e a dos SUV de pequenas e médias dimensões.
Eis uma breve súmula daquilo que o Salão de Nova Iorque apresentou de mais relevante.
- As marcas norte-americanas reagem às ‘forasteiras’
Num mercado em que as marcas asiáticas vão ocupando um papel fundamental (nomeadamente a Toyota e a Honda), os fabricantes norte-americanos demonstram grandes sinais de vitalidade, evidenciando vontade em recuperar o seu posicionamento dominante no mercado doméstico. O grupo General Motors é disso exemplo, ao levar até Nova Iorque uma série de novidades para as suas marcas (Buick, Chevrolet, Cadillac e GMC).
Na Buick, destacou-se o Enclave, um SUV de dimensões médias, a par do Cascada, descapotável derivado do Opel com o mesmo nome. A Chevrolet, marca que deixou a Europa no início deste ano, reforça a sua aposta nos EUA ao apresentar a nova geração do pequeno Spark e a berlina Malibu. Na Cadillac, o destaque foi dado ao CT6, uma berlina executiva para enfrentar os modelos Premium germânicos, ao passo que a GMC mostrou o crossover Terrain F/L.
A Ford apresentou o Focus RS no mercado local e o Mustang Shelby GT 350R, ambos de cariz desportivo para elevar as pulsações dos condutores norte-americanos. A Lincoln também esteve em destaque com a apresentação do Continental Concept, uma luxuosa berlina que antevê o futuro da marca naquele continente.
- Marcas asiáticas mantêm o ataque nos EUA
Sabendo-se a importância do mercado norte-americano, as marcas asiáticas voltaram a registar uma forte presença em Nova Iorque, com Nissan, Honda e Toyota em destaque. A Nissan apresentou o novo Maxima, de aspecto mais dinâmico, enquanto a Toyota surgiu no certame com o renovado RAV4, que se destaca pela introdução de uma versão híbrida. Na Honda, após uma geração em que o Civic viveu de ‘equívocos’, a marca revelou o Civic Concept, visão para aquilo que será o futuro modelo compacto. A Honda revelou também a estratégia para os próximos anos, anunciando a introdução das versões de cinco portas e Type R. Na Mazda, a maior novidade foi o MX-5 de nova geração, revelado em duas edições de lançamento com equipamentos específicos.
Na Mitsubishi, o destaque foi para o renovado Outlander, que surge de cara lavada e com características técnicas melhoradas. Por outro lado, a Kia aproveitou para desvendar o novo Optima, prometendo maior eficiência e dinâmica aperfeiçoada, ao passo que a marca ‘mãe’, a Hyundai, mostrou ao público o novo Tucson, que se pretende imiscuir no competitivo mercado dos SUV.
- Desportivos ainda fazem sonhar
Numa época em que as questões ambientais estão no foco das atenções de público e construtores, os desportivos continuam a povoar imaginários. Na Ford, como já se referiu, o Focus RS fez a sua primeira aparição, mostrando que a febre dos compactos de altas prestações ainda não desapareceu da mente dos norte-americanos. Na Honda, mereceu destaque o anúncio do novo Civic Type R, embora ainda a alguma distância, prevendo-se que seja lançado com base no modelo de cinco portas vendido na Europa.
Outro modelo em destaque foi o Subaru BRZ STI Concept, que teve grande aceitação, mas que apenas serviu para mostrar a capacidade da Subaru Tecnica International para a preparação dos automóveis nipónicos.
Mais ‘real’ (em termos de produção) foi a presença do Porsche Boxster Spyder para emoções fortes a céu aberto, e do McLaren 570S, primeiro da linhagem Sports Series da marca britânica, que pretende rivalizar com o Porsche 911 e Ferrari 488 GTB. Não tão extremo é o Range Rover Sport HST, um todo-o-terreno com capacidades atléticas mais imponentes. Por outro lado, não sendo um desportivo ‘puro e duro’, o Rolls-Royce Wraith também esteve presente.
- Marcas Premium na mó de cima
As marcas comummente apelidadas de Premium continuam a mostrar grande vitalidade, com a apresentação de novas propostas divididas por marcas dos EUA, Ásia e Europa. Da Infiniti surge o novo QX 50, com habitabilidade reforçada, além do QX 30 Concept, que dará origem a um novo SUV compacto da marca de luxo da Nissan. Da rival Lexus surgiu o novo RX, SUV com estética mais arrojada que quer marcar o seu espaço no segmento. A Cadillac também quer o seu quinhão de sucesso, como já atrás foi referido, com o novo CT6.
Estas concorrem com as tradicionais propostas germânicas, com a Mercedes-Benz à cabeça: o novo GLE foi apresentado em Nova Iorque, propondo linhas mais dinâmicas e uma nova versão Plug-in híbrida. A marca germânica teve ainda muitos motivos para sorrir, ao ser galardoada com o prémio de Carro do Ano Internacional para o Classe C.
Noutro segmento, além do Range Rover Sport HST, a Land Rover apresentou também a versão mais luxuosa Autobiography para o Range Rover. Uma análise ao segmento dos Premium não ficaria completa sem menção ao Jaguar XF, que fez a sua estreia pública no certame nova-iorquino.
- Volkswagen e europeus procuram mais espaço
Por parte das marcas generalistas europeias, existe grande vontade de ganhar espaço no mercado norte-americano, embora essa missão seja bastante complicada. É o caso da Volkswagen, que reforça a sua posição nos EUA com o lançamento do novo Golf Alltrack, além da presença de quatro concepts para o Beetle, que poderão antever o lançamento de versões especiais. A smart também surgiu neste certame com o novo fortwo, procurando impor-se neste mercado onde os pequenos automóveis ainda são vistos com algum sarcasmo.

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