A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla original) apurou que perto de um quarto de todas as espécies de peixes de água doce no mundo estão em risco de extinção, devido ao aquecimento global, alterações climáticas, pesca excessiva e poluição, revela o mais recente relatório, dedicado a estas espécies.
Estre as espécies em risco estão peixes como o ‘Brycinus ferox’, que habita no lago Turkana no Quénia, o bagre gigante do rio Mekong, no sul da Ásia, mas também outras mais comuns.
Do total de quase 15 mil espécies consideradas pela IUCN (14.898), mais de três mil (3.086) estavam em risco de desaparecer no habitat natural.
Mas não são só os peixes de rio que levantam preocupações quanto ao seu estado de conservação na natureza: o mogno está agora classificado como espécie ameaçada, com o número de árvores a cair 60% nos últimos 180 anos (e mais este ano), devido a colheitas insustentáveis e explorações ilegais.
Más notícias também para os amantes de sushi (e não só):o salmão do Atlântico, antes espécie em risco “pouco preocupante de extinção”, viu a sua população global encolher 23% entre 2006 e 2020, assinala a IUCN, com especial destaque para o desaparecimentos em muitos rios do Reino Unido. Assinala o organismo que para além da perda de habitat causada por aquecimento global e barragens, a reprodução em cativeiro enfraqueceu a capacidade de adaptação ao aquecimento das águas, contribui também a presença da espécie invasora do salmão rosa do Pacífico, que se espalha pelo norte da Europa.
“Os peixes de água doce representam mais de metade das espécies de peixes conhecidas no mundo, uma diversidade incompreensível dado que os ecossistemas de água doce representam apenas 1% do habitat aquático. Estas diversas espécies são essenciais para o ecossistema e vitais para a sua resiliência. Isto é essencial para os milhares de milhões de pessoas que dependem dos ecossistemas de água doce e para os milhões de pessoas que dependem das suas pescas”, defende Kathy Hughes, responsável do grupo de especialistas de água doce d IUCN, citada pelo The Guardian.
“Garantir que os ecossistemas de água doce sejam bem geridos, continuem a fluir livremente com água suficiente e de boa qualidade da água é essencial para travar o declínio das espécies e manter a segurança alimentar, os meios de subsistência e as economias num mundo resiliente às alterações climáticas”, acrescenta a investigadora.
O relatório assinala também para o risco de extinção das tartarugas verdes do Pacífico Centro-Sul e do Pacífico Leste, que para além da captura descontrolada, têm a eclosão dos ovos afetada pelas alterações da temperatura global, e os ninhos inundados pela subida do nível das águas.













