É oficial. A União Europeia congelou a ratificação do tratado de investimento, cujo acordo foi fechado em dezembro após sete anos de negociações. Com este gesto, o Parlamento Europeu cumpre assim a ameaça que tinha feito há uns meses, perante os abusos de direitos humanos em Xinjiang.
“O processo de ratificação deste acordo não pode ser separado da evolução da dinâmica da relação UE-China”, concluiu Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, momentos depois de ter classificado as sanções retaliatórias de Pequim contra autoridades europeias como “inaceitáveis”.
Porém, o número dois da Comissão Europeia fez questão de sublinhar que este ato é um congelamento e não um cancelamento definitivo do tão desejado acordo comercial com a China.
“Daqui para a frente tudo vai depender de como a situação evolui”, explicou Dombrovskis.
Em março, a UE impôs sanções contra quatro cidadãos chineses e uma entidade ligada a ao regime de Xi Jinping por alegadas violações de direitos humanos cometidos contra a minoria uigur.
Na quarta-feira, a Comissão Europeia definiu as estratégias para resistir às aquisições chinesas financiadas por Pequim de empresas europeias, assim como anunciou um programa para diminuir a dependência do bloco europeu face às grandes fábricas chinesas de semicondutores.
Há dois meses, os Governos de países do Báltico ao Adriático cancelaram várias licitações públicas, sobretudo na área da tecnologia, evitando que as empresas estatais chinesas ganhassem, conforme revelou na altura o Wall Street Journal.
As mudanças foram provocadas, por um lado, “devido a preocupações com a segurança interna e, por outro, pela deceção face a algumas decisões de última hora de Pequim”, como esclareceram várias individualidades que colaboram com os reguladores económicos europeus.
A Roménia e Lituânia também tomaram medidas para excluir as empresas chinesas de certos contratos públicos, enquanto na Eslovénia, Croácia e República Checa as licitações públicas que envolvem os grandes agentes financeiros chineses em áreas como nuclear, segurança e tecnologia foram suspensas.
Já a Grécia anunciou estar “reticente em ceder a participação maioritária da gestão do maior porto do país a uma empresa de Pequim”.
O mundo fica agora de olhos postos em Joe Biden e na sua secretária do Tesouro, Janet Yellen, que à semelhança da administração Trump condenaram logo nos primeiros dias de mandato as negociações do acordo sino-europeu, por a seu ver, “este não ser um contributo para a luta contra as práticas comerciais injustas da China”, apesar de em janeiro do ano passado a Casa Branca ter assinado o pacto comercial “Fase 1” com Pequim.









