Donald Trump terá dito a Volodymyr Zelensky que pretende ver a guerra em grande escala da Rússia contra a Ucrânia terminar no prazo de um mês, segundo revelou o ‘Kyiv Post’ com base numa notícia da ‘Axios’, que cita fontes próximas da mais recente conversa telefónica entre os dois líderes.
De acordo com as mesmas fontes, o presidente americano considera que o conflito “já dura tempo demais” e quer pressionar para um acordo de paz o mais rapidamente possível. A chamada, com cerca de 30 minutos, foi descrita como “amigável e positiva”.
Durante a conversa, Zelensky agradeceu o apoio dos EUA e afirmou que apenas Trump poderia persuadir Vladimir Putin a pôr fim à guerra, segundo uma das fontes citadas. O presidente ucraniano terá ainda manifestado esperança de que o conflito possa terminar ainda este ano.
Os dois líderes discutiram igualmente a possibilidade de uma cimeira trilateral que envolva Trump, Zelensky e Putin. O presidente americano indicou que trabalharia para viabilizar esse encontro caso as negociações previstas entre representantes dos EUA, da Ucrânia e da Rússia — agendadas para o início de março em Genebra — apresentem progressos concretos.
Segundo um responsável ucraniano citado pela ‘Axios’, Trump reiterou também a disponibilidade para conceder garantias de segurança “substanciais” a Kiev como parte de um eventual acordo de paz.
A conversa ocorreu na véspera de uma nova ronda negocial em Genebra, que reúne o principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, e os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff. Uma sessão trilateral completa, com participação russa, está prevista para o início de março. De acordo com a agência estatal russa ‘TASS’, citada pela ‘AFP’, o enviado económico russo Kirill Dmitriev poderá participar em reuniões paralelas.
Nas redes sociais, Zelensky confirmou que abordou com Trump a agenda das próximas negociações e os preparativos para uma eventual reunião ao nível dos líderes. “Esperamos que esta reunião crie uma oportunidade para avançar as negociações para o nível dos líderes. Esta é a única forma de resolver todas as questões complexas e delicadas e finalmente pôr fim à guerra”, escreveu.
Kiev insiste que qualquer acordo terá de incluir garantias de segurança firmes para evitar novas agressões russas. Moscovo, por seu lado, mantém exigências quanto ao controlo total da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, uma das principais causas do impasse negocial.
Horas antes do início das conversações, forças russas lançaram novos ataques antes do amanhecer. Explosões foram ouvidas em Kiev após alertas de ameaça aérea, tendo as autoridades ucranianas indicado a utilização de drones e mísseis balísticos. Ataques foram também reportados nas regiões de Kharkiv, Zaporizhzhia e Dnipropetrovsk, com dezenas de feridos.
O ‘Kyiv Post’ sublinha que a proposta de um prazo de um mês surge num momento particularmente simbólico, pouco depois de se assinalarem quatro anos desde o início da invasão em larga escala, e poderá representar uma tentativa de acelerar um processo diplomático que permanece bloqueado.














