Parece apenas um botão.
Pequeno, discreto, quase banal. Mas mudou tudo.
Quando o botão “Like” do Facebook surgiu, em 2009, foi apresentado como algo simples: uma forma rápida de mostrar que gostamos de um conteúdo. Um gesto leve, quase automático.
Mas, sem que muitos percebessem, esse clique transformou a internet.
Uma análise destacada pelo ‘The Independent’ explica como esse pequeno botão marcou o fim de uma era — e o início de outra muito mais poderosa.
Antes disso, as redes sociais eram… sociais. Os conteúdos apareciam por ordem cronológica. Viam-se publicações de amigos, família, momentos do dia a dia. Era quase um diário coletivo. Depois veio o “Like”.
E com ele, algo novo: uma métrica.
De repente, tudo podia ser medido. O que tinha mais “Likes” ganhava mais visibilidade. O que gerava mais reação subia no feed. E foi assim que nasceu o algoritmo moderno.
As plataformas deixaram de mostrar o mais recente — passaram a mostrar o mais popular. E, lentamente, os feeds começaram a mudar. Menos amigos. Mais conteúdos virais. Mais marcas. Mais páginas. Mais tudo o que prende a atenção.
Foi também aí que nasceram conceitos que hoje parecem inevitáveis: viral, influencer, criador de conteúdos. Mas o impacto não ficou por aqui.
Com o tempo, estes algoritmos tornaram-se cada vez mais sofisticados — e mais agressivos. O objetivo deixou de ser apenas mostrar conteúdo. Passou a ser manter as pessoas ligadas o máximo de tempo possível.
E isso teve consequências.
Casos reais começaram a mostrar o lado mais sombrio deste sistema. Desde a propagação de discurso de ódio em países como Myanmar, até à promoção de conteúdos extremistas ou teorias da conspiração, os algoritmos revelaram uma tendência clara: amplificar o que gera mais reação, independentemente do impacto.
E há um detalhe particularmente inquietante. O sistema aprende com cada gesto.
Não apenas com o que se gosta. Mas com quanto tempo se olha, se hesita, se volta atrás. Um simples segundo a mais pode mudar tudo o que aparece a seguir.
É assim que começa o chamado “efeito bola de neve”. Um vídeo aparentemente inofensivo. Uma música triste. Um tema emocional. E, pouco a pouco, o conteúdo torna-se mais intenso, mais pesado, mais extremo.
Investigadores mostraram que, em alguns casos, bastam minutos para que um utilizador — especialmente mais jovem — seja exposto a conteúdos perturbadores. E, em situações mais graves, esse percurso tem sido associado a consequências reais, fora do ecrã.
Hoje, o modelo tornou-se ainda mais complexo. Não é só um algoritmo a escolher o que vemos. É também tecnologia a criar esse conteúdo — alimentando um ciclo onde máquinas decidem e produzem aquilo que consumimos.
E isso levanta uma questão difícil. Quem está realmente no controlo?
Apesar das promessas das plataformas e das novas ferramentas de segurança, cresce a pressão para limitar este tipo de sistemas — especialmente quando se trata de utilizadores mais jovens. Alguns países já começaram a agir. Outros ponderam fazê-lo.
Mas há algo que permanece.
O modelo que nasceu com um simples “Like” continua no centro de tudo. Porque, no fundo, aquele botão não era apenas um gesto. Era o início de uma nova forma de internet. Mais rápida. Mais envolvente.
Mas também, talvez, mais difícil de controlar.














