O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu esta quarta-feira a abertura de “negociações imediatas” para discutir a aquisição da Gronelândia pelos EUA, argumentando que nem a Dinamarca nem qualquer outro país europeu tem capacidade para garantir a defesa do território estratégico no Ártico.
A posição foi assumida durante a intervenção de Trump no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, na qual o chefe de Estado norte-americano recorreu a referências históricas à II Guerra Mundial para sustentar a sua tese.
Perante uma plateia composta por líderes políticos e económicos europeus, Trump afirmou que a Dinamarca foi incapaz de se defender da invasão nazi durante a década de 1940, arrastando consigo a vulnerabilidade da Gronelândia. “Sem nós, todos estariam a falar alemão e um pouco de japonês, talvez”, declarou o Presidente norte-americano.
Trump recordou que, “após apenas seis horas de combates”, a Dinamarca ficou “totalmente incapaz de se defender a si própria e à Gronelândia”, sublinhando que foi a intervenção dos Estados Unidos que permitiu inverter o desfecho da guerra. Para o Presidente, o actual contexto internacional revela paralelismos com esse período histórico.
Segundo afirmou Trump, a Gronelândia permanece hoje “sentada, indefesa” numa posição geográfica crítica entre os EUA e potenciais rivais como a Rússia ou a China. Na sua leitura, esta vulnerabilidade coloca riscos sérios à segurança internacional e exige uma resposta firme de Washington.
“Estou a procurar negociações imediatas para, mais uma vez, discutir a aquisição da Gronelândia pelos Estados Unidos”, afirmou, retomando uma ideia que já havia gerado controvérsia no seu anterior mandato.
Tensões com líderes europeus à margem do Fórum de Davos
As declarações do Presidente norte-americano agravaram as tensões com vários líderes europeus presentes em Davos. A proposta de anexação da Gronelândia tem provocado inquietação nas capitais europeias, num momento em que Trump também ameaça aplicar tarifas comerciais a países que se oponham à sua agenda internacional.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, e outros líderes europeus estarão a tentar articular uma resposta coordenada à posição norte-americana, num cenário descrito como de crescente fricção diplomática.
“Só os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da Gronelândia”
Apesar do tom assertivo, Trump garantiu manter respeito pelas populações envolvidas. “Tenho um enorme respeito tanto pelo povo da Gronelândia como pelo povo da Dinamarca”, afirmou, acrescentando, no entanto, que “a realidade é que nenhuma nação ou grupo de nações está em posição de garantir a segurança da Gronelândia, a não ser os Estados Unidos”.
Num momento de descontração, Trump admitiu ainda que ponderou não abordar o tema no seu discurso: “Ia deixar isso fora da intervenção”, disse, antes de reiterar que considera a questão essencial para a segurança global.














