Portugal prepara-se para enfrentar condições meteorológicas extremas entre os dias 23 e 24 de janeiro, com a combinação de nevão histórico, trovoadas intensas e fenómenos de vento extremo. De acordo com previsões do portal especializado LusoMeteo.pt, os próximos dias exigem atenção redobrada, especialmente no litoral e em zonas de altitude, onde os efeitos da tempestade INGRID podem ser mais severos.
A possibilidade de trovoadas intensas, associadas a aguaceiros fortes, será acompanhada por fenómenos de vento extremo, incluindo rajadas localizadas que podem ultrapassar os 100 km/h, alertam os meteorologistas. Modelos de alta resolução, como AROME e HARMONIE (AEMET), indicam que a convecção mais intensa surgirá a partir da tarde de sexta-feira, com formação de núcleos convectivos que poderão gerar downbursts ou até mesmo tornados localizados.
Segundo os especialistas, o litoral será a região mais afetada, sobretudo a Sul do Cabo Carvoeiro, mas há risco de fenómenos localizados na metade ocidental do país, a Oeste das principais serras, entre as 15h de sexta-feira e as 03h de sábado. Nessas zonas, as células convectivas poderão arrastar ar frio das altitudes para a superfície, potenciando ventos fortes e precipitação de neve em cotas mais baixas.
As previsões indicam que as trovoadas ocorrerão com maior frequência no Minho, no litoral dos distritos de Aveiro e Coimbra, e na Costa Vicentina, no Alentejo. Apesar disso, não se exclui a ocorrência em outras regiões do território, embora de forma menos intensa.
As células convectivas, visíveis em imagens de satélite, poderão intensificar o vento em terra, com destaque para a faixa costeira ocidental. Modelos meteorológicos apontam ainda para um núcleo secundário de vento muito forte perto da Área Metropolitana de Lisboa, associado à depressão Ingrid, embora esta previsão ainda não seja consensual e dependa da evolução das próximas horas.
Atualização da neve e cotas mais baixas
A situação do nevão histórico mantém-se grave. Esta manhã, os radares mostravam aumento da precipitação compatível com cotas de neve situadas entre os 600 e 700 metros. Com a chegada de núcleos de ar frio em altitude, previstos para a tarde de sexta-feira, os aguaceiros intensos poderão vir acompanhados de trovoadas, aumentando o frio à superfície.
Espera-se que as cotas de neve baixem entre as 18h e as 03-06h de sábado para os 200-300 metros de altitude, em especial em zonas de relevo, podendo ocorrer acumulações superiores a 30 cm acima dos 600-800 metros, e até 1 metro na Serra da Estrela. No topo das montanhas, as temperaturas poderão atingir -4ºC a 1.300 metros e -35ºC a 5.000 metros.
O modelo WRF, considerado um dos mais fiáveis, aponta para neve em zonas como Penha (Guimarães), Serra de Montejunto, Serra dos Aires e Candeeiros, Fóia (Monchique), São Mamede e Marvão (Portalegre), entre outros locais de menor frequência, podendo registar-se nevadas significativas. Estas condições configuram um episódio de neve intenso, comparável a nevões históricos.
Os meteorologistas alertam que as rajadas de vento poderão atingir 100-120 km/h, com risco localizado de tornados, sobretudo na faixa costeira ocidental e no litoral Sul. Apesar de fenómenos extremos serem localizados, os efeitos podem ser significativos em pontos vulneráveis, exigindo atenção redobrada da população.
O litoral Sul, incluindo a zona próxima de Lisboa, é apontado como uma das áreas de maior risco, com vento forte e condições instáveis. Nas regiões montanhosas, a neve intensa poderá dificultar a circulação e aumentar o risco de acidentes, sendo recomendada prudência, sobretudo em deslocações durante a tarde e noite de sexta-feira e madrugada de sábado.













