Traficantes no Rio de Janeiro usam drones para lançar granadas e travar megaoperação policial: dezenas de mortos registados

A intenção das autoridades era fazer cumprir os mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho – 30 deles de outros estados -, sendo que o principal alvo foi a fação responsável por expandir a sua atuação dentro e fora do Rio de Janeiro

Francisco Laranjeira
Outubro 28, 2025
13:13

Numa demonstração de poderio bélico sem precedentes, os traficantes dos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, utilizaram drones para lançar granadas contra as forças especiais da Core e do Bope, na sequência da megaoperação lançada na manhã desta terça-feira: ao todo, relatou o jornal brasileiro ‘O Globo’, foram mobilizados 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, com apoio do Ministério Público.

A intenção das autoridades era fazer cumprir os mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho – 30 deles de outros estados -, sendo que o principal alvo foi a fação responsável por expandir a sua atuação dentro e fora do Rio de Janeiro.

O uso de drones para lançar granadas contra forças de segurança marca uma nova escalada do poder de fogo do crime organizado no Rio de Janeiro. Os criminosos lançam o equipamento sobre alvos, acionam um gatilho mecânico ou elétrico que liberta a carga e afastam-se sem se expor. Além de servir como “bombardeiro” improvisado, o drone também funciona como equipamento de reconhecimento para orientar a reação.

A megaoperação fez pelo menos 60 mortos: 56 criminosos, dois polícias civis e dois militares do BOPE, segundo as forças de segurança do estado. Pelo menos 18 membros do crime organizado morreram na megaoperação contra o grupo Comando Vermelho. “É assim que a polícia do Rio de Janeiro é recebida por criminosos: com bombas lançadas por drones. Esse é o tamanho do desafio que enfrentamos. Não é mais crime comum, é narcoterrorismo”, escreveu nas redes sociais o governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, acompanhado por um vídeo das operações no qual é possível ver a utilização de drones para lançar bombas contra as autoridades.

O portal G1, que cita fontes do Governo, indicou ainda que, para além dos suspeitos, há ainda indicação de polícias mortos durante os confrontos nos complexos do Alemão e da Penha.

Entre os suspeitos mortos encontra-se um dos principais líderes da fação.

De acordo com o mesmo portal, dos suspeitos mortos, dois eram do estado da Bahia e um do Espírito Santo.

Há ainda nove agentes baleados e três civis também foram atingidos.

No total, 56 homens foram detidos, cinco deles feridos e hospitalizados, encontrando-se sob custódia. As autoridades apreenderam 25 fuzis, duas pistolas e nove motos.

A Operação Contenção, que visa deter líderes criminosos do Rio de Janeiro e de outros estados, e de combater a expansão do Comando Vermelho, mobilizou cerca de 2.500 agentes, que entraram em confronto com os alegados criminosos, com o objetivo de cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão.

Pelo menos 45 escolas fecharam, cinco clínicas suspenderam os atendimentos e 12 autocarros desviaram o seu trajeto devido à operação, segundo a imprensa brasileira.

“Peço aos moradores da região que permaneçam em casa enquanto as forças de segurança atuam”, apelou o governador.

O Comando Vermelho foi criado em 1979 nas prisões do Rio de Janeiro e é hoje uma das organizações criminosas mais perigosas do mundo.

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