O setor do trabalho temporário em Portugal apresenta sinais de recuperação, apesar das flutuações ao longo do ano. De acordo com os Barómetros do Trabalho Temporário para o 3.º trimestre de 2024, desenvolvidos pela APESPE-RH em parceria com o ISCTE, setembro destacou-se como o melhor mês do ano, com um aumento de 10% nas colocações face a agosto, contabilizando mais 2.895 trabalhadores com contrato temporário.
Desde o início de 2024, tem sido visível uma tendência de crescimento: 85.372 colocações no primeiro trimestre, 90.628 no segundo e 90.291 no terceiro. Contudo, este último registou uma ligeira redução de 0,4% em relação ao trimestre anterior.
Apesar deste progresso, o setor ainda está aquém dos níveis de anos anteriores. O terceiro trimestre registou uma diminuição de 10,44% em relação ao mesmo período de 2023 e de 16,4% face a 2022.
O ensino básico continua a predominar no perfil dos contratados (58% a 59%), seguido pelo ensino secundário (31% a 33%). Licenciados representam cerca de 8% a 9% das colocações.
Entre os setores, a “Fabricação de componentes para veículos automóveis” lidera, com 8% a 9% das colocações no 3.º trimestre. As “Atividades auxiliares dos transportes” e o “Fornecimento de refeições para eventos” alternaram entre o segundo e o terceiro lugares ao longo do trimestre.
Relativamente às profissões, destacam-se as “Outras profissões elementares” (28% a 30%) e os “Empregados de armazém e serviços de apoio à produção” (19% a 21%).
Embora o Índice do Trabalho Temporário (Índice TT) continue abaixo dos valores de 2022 e 2023, a sua evolução positiva desde o início do ano – fixando-se em 0,90 nos últimos dois meses – reflete sinais de crescimento gradual.
“Apesar do aumento da contratação de trabalhadores com contrato de Trabalho Temporário no mês de setembro, ainda temos um claro desafio de recuperação em relação ao 3º trimestre do ano passado. No decorrer deste ano, é visível através dos diversos barómetros que divulgámos o início de uma tendência de crescimento positiva, no que diz respeito às contratações. Isto demonstra, mais uma vez, como a atual imprevisibilidade económica, política e social que se vive influenciam a contração da atividade no sector”, diz Afonso Carvalho, presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e Recursos Humanos (APESPE-RH).






