Tendências na saúde e medicina para 2030

Opinião de Luis Rasquilha, CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem (Research, Consulting, Business School, Online, Club, Tech). Professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Hospital Albert Einstein e ESALQ/USP (Universidade de São Paulo). Conselheiro Consultivo da Mercur do Brasil

Executive Digest

Por Luis Rasquilha, CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem (Research, Consulting, Business School, Online, Club, Tech). Professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Hospital Albert Einstein e ESALQ/USP (Universidade de São Paulo). Conselheiro Consultivo da Mercur do Brasil

A grave crise sanitária global – pandemia do coronavírus – deflagrada no início de 2020 trouxe incontestáveis desafios à área da saúde. Face a milhões de pessoas doentes e a inúmeras e lamentáveis mortes, uma literal corrida em busca de vacinas, de medicamentos eficazes e de infraestrutura para atendimento aos doentes mobilizou empresas farmacêuticas, centros de pesquisa, cientistas, hospitais, universidades, profissionais da área da saúde, laboratórios e governos em todo o planeta.
Em decorrência, observou-se inédito estímulo a práticas colaborativas entre nações em diversos níveis: agentes económicos (públicos e privados) ampliaram o fluxo de troca de informações sobre a crise, de investimentos transnacionais, de compartilhamento de pesquisas e descobertas científicas em busca de respostas coletivas e eficazes ao grave momento. Ao redor do planeta, práticas humanitárias e de solidariedade ganham força e relevo como “pano de fundo” da tragédia global em curso.
E a humanidade (vivenciando o aumento da expectativa de vida) aumentou a sua consciência por práticas de vida mais saudáveis, privilegiando atividades e comportamentos que antes não tinham tanta dedicação e alocação de recursos como agora – busca por alimentação saudável, prática de exercício físico, envelhecimento com qualidade, etc. – alterando até a forma como encaram carreira e trabalho.
Nesse sentido existe um conjunto de tendências que vão pautar a saúde nesta década.
A partir da realidade pós-covid 19 muitas mudanças se confirmaram e muitas perspectivas sobre saúde despontaram. Um grupo bastante alargado de tendências têm-se confirmado e apontado o caminho para 2030. São elas:



  1. Evolução Genética: Os avanços genéticos em todas as áreas têm reescrito muitas das páginas consideradas intocáveis na história. Seja no âmbito da medicina, alimentação ou reprodução, a genética tem contribuído decisivamente para a evolução da humanidade.
  1. Busca de Equilíbrio: O ressignificar de prioridades, dos propósitos e dos valores tem deixado claro que a sociedade busca um equilíbrio. Se antes era carreira ou família, por exemplo, hoje é um e outro. Não mais um ou outro. O equilíbrio entre produção e consumo, entre exercício e alimentação, entre entretenimento e descanso (e tantos outros) reforça o entendimento que existe maior consciência para a adoção de caminhos equilibrados (ou caminhos de meio) em detrimento de extremos, nunca saudáveis.
  1. Humanos 2.0: Ao mesmo tempo, a elevada dependência da conexão tem nos transformado de tal forma que já se afirma que esta é a última geração de homo sapiens (frase proferida por Yuval Harari na última convenção de Davos), caminhado para a chamada geração algorítmica ou singular. A singularidade representa um evento histórico previsto para o futuro, no qual a humanidade atravessará um estágio de colossal avanço tecnológico em um curtíssimo espaço de tempo e no qual todos serão um mix de homem e máquina. Se já hoje não conseguimos nos separar dos smartphones, smart watches e smart tudo, em breve teremos implantados em nossos corpos e em nossos cérebros todos os tipos de gadgets e chips de conexão e comunicação em tempo real, acessando, compartilhando e produzindo todo o tipo de informação e conhecimento.
  1. Wellthy (wellness & healthy): Saúde e bem-estar, longevidade e felicidade são fundamentais. Os benefícios são óbvios e ‘’mente sã em corpo são’’ permite que se possa enfrentar com outra garra as adversidades dos tempos modernos. As fontes do estresse diário são muitas e é prioritário ter formas e meios de o combater. A promoção e o monitoramento permanentes de práticas e estilos de vida mais saudáveis são fortemente disseminadas, com recurso às tecnologias de informação e a um mundo cada vez mais interligado em busca de felicidade utilizando as tecnologias de informação e o um mundo cada vez mais interligado. Partilham-se histórias, experiências, técnicas, dietas, planos de treino, etc.; tudo o que promova a vitalidade é bem-vindo! Um mundo mais Wellthy (junção de Wellness e Healthy) cresce como contraponto e busca de equilíbrio ao mundo conectado e vivido em permanente aceleração.
  1. Relax & Espiritual: Este movimento vai muito além da questão de relaxamento, traduzindo-se numa necessidade mais básica para viver em equilíbrio. A vida é cada vez mais estressante e emocionalmente exigente. Os níveis de estresse no trabalho nunca foram tão altos e a busca por soluções de relaxamento e melhoria da qualidade de vida nunca foram tão importantes na vida das pessoas. Seja uma pausa diária, um retiro ou mesmo uma forma de vida, a busca pelo equilíbrio e pelo desacelerar do mundo conectado tem ganho adeptos e aberto inúmeras oportunidades de negócio. O maior desafio hoje é conseguir viver em equilíbrio com tantas demandas e iniciativas que nos aceleram a vida e o cérebro.
  1. Busca pela Felicidade: Um sentimento que se afirmou com a pandemia e que saiu reforçado no sentido em que há uma maior consciência de desejo de fazer coisas que nos façam bem e nos deixem felizes. A mudança de século e o emergir das novas gerações tem reforçado a questão emocional como crítica da performance, saúde e bem-estar. Antes de qualquer coisa somos humanos e humanos querem-se felizes.

E a pergunta que agora se coloca é: o que fazer com tudo isto?

Quais os grandes insights que podemos enumerar saídos deste grupo de tendências e respetivas predições?

São 12:

  1. O crescimento do mercado de saúde e bem-estar | Wellthy (wellness & healthy) | será constante à medida que a expectativa de vida e a explosão demográfica aumenta, abrindo novas oportunidades de mercado e novos segmentos a serem atendidos;
  1. A detecção preditiva de doenças, através de soluções de IA vaio revolucionar a medicina e a saúde, transformando a atuação reativa numa atuação cada vez mais preditiva;
  1. A revolução digital e conectividade permanente designada como IOMT (Internet of Medical Things) trará um número significativo de soluções tecnológicas e de conectividade dos quais podemos destacar soluções de data cloud, chatbots, smart data ou blockchain, …
  1. Impressoras 3D, que já são realidade, permitirão acesso a um elevado conjunto de soluções nunca possíveis, como por exemplo a impressão de órgãos do corpo humano revolucionando bancos de órgãos e a eliminação da rejeição de órgãos implantados por incompatibilidades de dna;
  1. Novos serviços médico digitais como telemedicina apenas estão começando a surgir e abrem novas perspectivas e possibilidades de atuação nesta área;
  1. Cibersegurança e compartilhamento de dados são o ponto alto e crítico desta nova realidade uma vez que a massificação de dados e a crescente discussão sobre a sua privacidade e até propriedade não são ainda temas pacificados;
  1. Robotização nos procedimentos como o exemplo robôs de apoio com nanoprecisão, cirurgia robótica e remota asseguradas por automações que complementam a atuação humana mudam a forma de atuar dos profissionais da área;
  1. A revolução da Nanotecnologia não se aplica apenas na tecnologia mas alarga-se a esta mercado através de inúmeras possibilidades de tratamento e medicação como por exemplo a adoção de partículas para nano medicamentos;
  1. Os microchips não são novos, mas a prática de implantá-los em humanos é. Com pequenos chips de identificação por radiofrequência (RFID) implantados em mãos ou pulsos veremos além de atividades como pagamentos ou desbloquear acessos a lugares, o monitoramento de sinais vitais de forma permanente e regular;
  1. Exoesqueletos como os do Exterminador do Futuro (um organismo cibernético composto de tecido vivo sobre um endoesqueleto de metal), apresentados de forma fictícia em 1984, passaram a ser reais, permitindo a criação de um tipo diferente de ciborgue — um que usa um exoesqueleto de metal sobre seu saco de carne biológico. Isso vai revolucionar a mobilidade humana e a recuperação da mesma em situações de doença ou acidente;
  1. Olhos Biônicos serão realidade acessível sendo hoje usados para tratar a degeneração macular hereditária e relacionada à idade (DMRI) e contam com uma câmera montada em óculos que alimentam entradas para eletrodos ligados à retina. Essa técnica é um meio notável, embora ainda imperfeito, de reverter uma forma de cegueira;
  1. Interfaces cérebro-computador: os humanos já podem controlar cadeiras de rodas, membros neuroprotéticos avançados e drones com suas mentes. Interfaces cérebro-computador (BCI) também têm sido usados para se comunicar com pacientes que sofrem da rara aflição da síndrome do encarceramento. Em breve poderemos estar usando tecnologia como essa o tempo todo, não apenas para corrigir deficiências, mas para melhorar a comunicação e a conexão sensorial. Talvez pudéssemos até nos conectar telepaticamente.
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