Por Ana Côrte-Real, Professora Associada da Católica Porto Business School, consultora e Coach
Vivemos tempos em que o tempo passou a ser uma dádiva, de tão escasso que é. Atrevo-me a dizer que se pensarmos bem… nunca temos tempo para nada, para fazer o que gostaríamos, seja a nível pessoal, seja a nível profissional. Simplesmente, nunca há tempo. Ora, se nunca há… alguma coisa temos de mudar.
Fruto da oportunidade maravilhosa que é a minha profissão (seja como Coach, Mentora, Consultora e Professora) de acompanhar, ouvir ensinar e aprender com pessoas, a questão do tempo está sempre presente.
Alguns exemplos:
– No coaching, uns dos desafios mais recorrentes é a necessidade de se ter tempo para se pensar estrategicamente. Isto é, tempo!
– No mentoring, são muitas as vezes em que a minha maior ajuda é dar formato e conteúdo ao que é urgente e importante, importante mas não urgente, urgente mas não importante, nem importante, nem urgente. Porquê? Porque não há tempo sequer para fazer a agenda de forma clara;
– Na consultoria, os processos são todos URGENTES. Urgentes porque alguém não tem tempo para pensar em determinados cenários, não tem tempo para ganhar perspetiva, não tem tempo para estudar, não tem tempo…
– Na formação customizada, as empresas querem formação, mas depois não há tempo para reuniões de diagnóstico das necessidades de formação, não há tempo para se apresentarem e debaterem adequadamente as propostas, e os módulos de formação têm que ser tipo “snacks”, pois os colaboradores não têm tempo para dedicar à formação…
– Nas aulas, os alunos não têm tempo para estudar, para fazer os trabalhos, para pesquisarem os artigos, para reunirem em grupo… e quando têm esse tempo acham que todos têm de ter esse mesmo tempo, ao mesmo tempo, e dedicado a eles.
Na família… é o que sabemos. A luta pelo tempo que queremos dar aos nossos filhos, cônjuges e familiares. E o tempo para os amigos? Para a família que escolhemos?
Não sei… Mas sei que o tempo é o tempo que temos para fazer uma determinada tarefa. Parece um cliché, mas ajuda se pensarmos desta forma. A questão é a afetação desse tempo a essa tarefa, sem culpa, sem receios, com a certeza de que é esse tempo que irá dar significado ao propósito que decidimos dar à nossa vida.
A forma como “damos” o nosso tempo e quem o damos é responsabilidade nossa. A forma como agradecemos o tempo que os outros nos oferecem diz muito do que somos.
É fundamental pensar no tempo. Na forma como o gerimos. Porque tudo o resto é consequência dessa definição.
Sou muito grata a todos os que, no contexto atual, me oferecem o seu tempo. Porque, seja este tempo pouco ou muito, é tempo… e o nosso tempo é o maior bem que podemos dar aos outros.




