As tempestades de inverno que atravessaram Portugal nas últimas semanas deixaram os reservatórios cheios, mas também criaram novos riscos para os automobilistas. A chuva persistente, longe de “lavar” naturalmente os veículos, pode acelerar a corrosão, comprometer sistemas mecânicos e afetar diretamente a segurança na estrada.
A exposição prolongada à humidade, combinada com lama, óleos e sal espalhado nas estradas durante os meses frios, forma uma mistura altamente corrosiva, alertou o jornal ‘ABC’. Esse cocktail adere sobretudo à parte inferior da carroçaria e aos guarda-lamas, zonas muitas vezes esquecidas nas lavagens rápidas. Especialistas em manutenção recomendam uma limpeza com jato de alta pressão direcionada ao chassis, removendo resíduos antes que iniciem processos de oxidação que degradam o metal e encurtam a vida útil do automóvel.
Outro ponto crítico é a zona sob os limpa-para-brisas. Ali acumulam-se folhas, ramos e detritos que, pressionados pela água, podem entupir os sistemas de drenagem. Quando isso acontece, a água infiltra-se no habitáculo e, em situações mais graves, pode atingir componentes eletrónicos sensíveis, provocando avarias dispendiosas.
Segurança: visibilidade e aderência em risco
Depois de semanas de chuva intensa, as escovas do limpa-para-brisas tendem a apresentar fissuras ou deformações que reduzem drasticamente a visibilidade. A substituição destas peças é um dos investimentos mais simples e económicos para reforçar a segurança ativa.
Os pneus merecem igual atenção. A água acumulada na via esconde buracos e irregularidades que podem danificar a estrutura interna da roda ou provocar desalinhamentos. Vibrações anormais ou desgaste irregular do piso são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
No sistema de travagem, a humidade favorece o aparecimento de uma fina camada de ferrugem nos discos. Embora a utilização regular em condições secas ajude a remover essa oxidação superficial, ruídos persistentes ou vibrações no pedal podem indicar que a integridade do sistema foi afetada.
Humidade no interior: um problema invisível
O impacto das intempéries não se limita ao exterior. Cheiros a mofo ou embaciamento excessivo dos vidros são sinais de que o estofamento absorveu água. A utilização de desumidificadores de sílica gel ou carvão ativado colocado sob os bancos pode ajudar a reduzir a humidade acumulada.
Se o veículo estiver estacionado numa garagem fechada, deixar as janelas ligeiramente entreabertas facilita a circulação do ar e dificulta o desenvolvimento de bolor. É igualmente recomendável verificar os níveis de fluidos, nomeadamente o líquido do limpa-vidros, optando por misturas com propriedades anticongelantes e desengordurantes para enfrentar a lama e os resíduos deixados pelas tempestades.
Num cenário de precipitação prolongada, a manutenção preventiva deixa de ser apenas uma questão estética e passa a ser um fator essencial de durabilidade e segurança. Ignorar estes cuidados pode traduzir-se em custos elevados e riscos acrescidos na estrada.





