Temperatura do planeta pode subir 7,5ºC nos próximos 50 anos

Se o aquecimento global continuar a aumentar à velocidade actual, cerca de três mil milhões de pessoas correm o risco de nos próximos 50 anos, estarem a viver em zonas cujas temperaturas serão de tal forma elevadas, que se vão tornar insuportáveis para o ser humano.

Simone Silva

Se o aquecimento global continuar a aumentar à velocidade actual, cerca de três mil milhões de pessoas correm o risco de nos próximos 50 anos, estarem a viver em zonas cujas temperaturas serão de tal forma elevadas, que se vão tornar insuportáveis para o ser humano, avança a ‘CNN’.

Estas são as conclusões de um estudo publicado esta segunda-feira no site da Academia nacional de Ciências dos Estados Unidos, que revela ainda que até 2070 as temperaturas podem sofrer um aumento de cerca de 7,5 graus Celsius, com valores que não vão tornar possível a habitabilidade em determinadas regiões do mundo.

A maioria das regiões, por enquanto, tem conseguido sobreviver em temperaturas médias anuais à volta dos 13 graus Celsius, um facto que segundo o estudo, com o aquecimento global vai deixar de acontecer nos próximos 70 anos.

A equipa responsável pela pesquisa é composta por arqueólogos, cientistas climáticos e ecologistas, que chegaram à conclusão de que «na ausência de mitigação climática ou migração, uma parte substancial da humanidade será exposta a temperaturas anuais mais quentes do que as registadas em qual parte actualmente».

Os especialistas estimam que um terço da população a nível mundial, vai residir em zonas onde a temperatura média anual se fixa em 29 graus, tal como acontece no deserto do Saara, ainda que seja difícil prever com precisão e que o impacto do aquecimento global dependa sempre das respostas da população.

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Estas previsões constituem o pior dos cenários e uma antevisão «do que poderá acontecer se não mudarmos os nossos caminhos», refere Tim Kohler, arqueólogo da Universidade de Washington e um dos autores do estudo, citado pela ‘CNN’.

O calor extremo engloba actualmente cerca de 0,8% da superfície da Terra, um número que segundo o estudo deve aumentar para 19%, afectando sobretudo às regiões mais desfavorecidas. «Como nestas regiões a capacidade de adaptação é baixa, o aprimoramento do desenvolvimento humanos nessas áreas deve ser uma prioridade, juntamente com a mitigação climática», pode ler-se no estudo.

O estudo revela que algumas zonas da África subsariana, América do Sul, Índia, sudeste asiático, península arábica e Austrália são as mais afectadas.

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«Esses países estão principalmente na região sul do globo, com uma das taxas de crescimento populacional mais elevadas, como a Índia e a Nigéria. Estes dois países estão apropriados para adaptar o maior número de pessoas em condições meteorológicas extremas», explicou à ‘CNN’, Chi Xu, da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Nanjing e um dos autores do relatório.

Ainda assim não é uma causa perdida, uma vez que o número de pessoas expostas a elevadas temperaturas pode diminuir para metade, se o mundo unir esforços para reduzir significativamente as emissões de carbono na atmosfera.

«O pior dos cenários pode ser amplamente evitado se o corte efectivo das emissões de gases de efeito de estufa for alcançado», sublinha Chi, citado pela CNN.

Existe ainda a previsão de que determinadas regiões possam verificar melhorias de temperatura. «Portanto, apesar das grandes barreiras psicológicas, sociais e políticas à migração, uma mudança na distribuição geográfica das populações e na produção agrícola é outra parte provável da resposta adaptativa espontânea ou controlada da humanidade a um clima em mudança», conclui o estudo.

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