Suspeito de matar CEO da UnitedHealth tinha plano para atentado à bomba em Nova Iorque

O homem de 26 anos desistiu da ideia por temer que “poderia matar inocentes” e optou por uma abordagem mais direta, que culminou no homicídio do executivo em plena Midtown Manhattan, a 4 de dezembro.

Pedro Gonçalves
Dezembro 11, 2024
15:41

Luigi Mangione, suspeito de assassinar Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, tinha considerado usar uma bomba em Manhattan como parte do seu plano, revelam fontes ligadas ao caso. Contudo, o homem de 26 anos desistiu da ideia por temer que “poderia matar inocentes” e optou por uma abordagem mais direta, que culminou no homicídio do executivo em plena Midtown Manhattan, a 4 de dezembro.

Mangione foi detido na segunda-feira, num McDonald’s em Altoona, Pensilvânia, onde as autoridades encontraram uma ‘pistola fantasma’ (supostamente feita com partes impressas numa impressora 3D) equipada com silenciador, cartões de identificação falsos e um caderno espiral contendo uma lista de tarefas e notas que detalhavam o seu plano. Entre os itens apreendidos estava também um manifesto de 262 palavras que, segundo a polícia, constitui uma “reivindicação de responsabilidade” pelo crime.

No caderno, segundo a CNN Inetrnacional Mangione explorava métodos alternativos para o assassinato, incluindo a utilização de explosivos. Apesar disso, os textos indicam que o suspeito optou por uma abordagem mais personalizada, descrevendo o desejo de “matar o CEO na sua própria conferência de contabilidade”. Esta conferência de investidores da UnitedHealthcare decorria no mesmo dia do homicídio, em Manhattan, onde Thompson estava previsto apresentar os resultados financeiros da empresa.

Segundo o chefe de detetives da polícia de Nova Iorque, Joe Kenny, o manifesto de Mangione revela uma profunda aversão ao setor corporativo norte-americano, em especial à indústria de seguros de saúde. O documento critica o sistema de saúde dos Estados Unidos, classificando-o como o mais caro do mundo, mas que ocupa apenas o 42.º lugar em termos de expectativa de vida global.

Mangione também faz referências a Ted Kaczynski, conhecido como o “Unabomber”, elogiando o seu manifesto em plataformas como o Goodreads e recomendando-o em grupos de leitura. O manifesto apreendido sugere que Mangione via o homicídio como uma “derradeira mensagem simbólica” contra a corrupção corporativa e os “jogos de poder”. Num excerto, o suspeito descreve as suas ações como um “enfrentamento brutalmente honesto” à ganância corporativa.

Embora expresse respeito pelas autoridades federais no manifesto, Mangione também se refere à vítima como “parasita” que, na sua opinião, “merecia o que lhe aconteceu”. O suspeito pede desculpa por qualquer trauma causado, mas reafirma a sua convicção de que as suas ações eram justificadas.

Mangione foi detido em Altoona e compareceu em tribunal na Pensilvânia na terça-feira, onde foi negada a fiança. Durante a audiência, gritou: “Isto é um insulto à inteligência do povo americano e à sua experiência vivida!” Apesar de enfrentar acusações de homicídio em segundo grau em Nova Iorque, Mangione opõe-se à extradição e permanece detido na Pensilvânia, onde também enfrenta acusações relacionadas com posse de armas ilegais.

O advogado do suspeito afirmou que o cliente deverá declarar-se inocente quando for extraditado para Nova Iorque. As autoridades continuam a investigar os detalhes do caso, que já está a gerar intensos debates sobre segurança corporativa e o impacto de crimes de ódio contra líderes empresariais.

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