O governo da Suécia está a ponderar uma inversão significativa da sua política de neutralidade, que já tem dois séculos, para se juntar à NATO. Esse cenário foi admitido pela primeira-ministra sueca esta quinta-feira à noite, e esta possível mudança está relacionada com a invasão da Ucrânia e a ameaça que a Rússia poderá representar para mais países no futuro.
“Agora pode haver uma razão para reconsiderar a política de não alinhamento da Suécia”, afirmou Magdalena Andersson durante uma entrevista na televisão SVT. “Não descarto de forma alguma a adesão à NATO”, acrescentou, realçando a importância da Suécia escolher a sua própria política de segurança.
“Quero que façamos uma análise exaustiva das possibilidades que temos nesta situação, das ameaças e dos riscos envolvidos, para tomarmos a melhor decisão para a Suécia”, frisou a primeira-ministra sueca.
Estas afirmações da líder do governo da Suécia marcam uma mudança relevante face ao que tinha dito há apenas três semanas, numa fase ainda inicial da invasão da Ucrânia. Na altura, Magdalena Andersson recusava quebrar os dois séculos de neutralidade.
“Se a Suécia optasse por apresentar um pedido de adesão à NATO neste contexto desestabilizaríamos ainda mais a situação na Europa”, defendeu então.
Para esta alteração no discurso da líder do governo sueco contribuíram as declarações do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, para o parlamento do país escandinavo nas quais advertiu que todos os países vizinhos da Rússia estariam em perigo se a Ucrânia “não resistisse e não se defendesse”.
Além disso, a Suécia certamente sentiu a pressão exercida pela decisão da vizinha Finlândia, que deu início ao debate parlamentar sobre a possível adesão à NATO.
A guerra na Ucrânia também mudou a opinião dos suecos relativamente à entrada na NATO. Antes do conflito, o apoio à adesão da Suécia à NATO não passava dos 25%. Agora, sondagens recentes indicam que quase 50% dos suecos já é favorável à entrada na Aliança Atlântica.






