SpaceX prepara OPI em junho para coincidir com alinhamento de planetas e aniversário de Elon Musk

A SpaceX está a avaliar avançar com uma oferta pública inicial (OPI) em meados de junho, numa data que coincida simultaneamente com um alinhamento planetário raro e com o aniversário de Elon Musk.

Pedro Gonçalves
Janeiro 28, 2026
12:03

A SpaceX está a avaliar avançar com uma oferta pública inicial (OPI) em meados de junho, numa data que coincida simultaneamente com um alinhamento planetário raro e com o aniversário de Elon Musk, uma decisão que reflete a forte marca pessoal do fundados no rumo estratégico da empresa, segundo avançam fontes próximas do processo ao Financial Times.

O plano poderá resultas naquela que seria a maior entrada em bolsa da história, com a empresa aeroespacial a procurar captar até 50 mil milhões de dólares, numa avaliação aproximada de 1,5 biliões de dólares, valor que ultrapassa largamente os 29 mil milhões angariados pela Saudi Aramco em 2019. As mesmas fontes sublinham, no entanto, que os valores continuam preliminares e sujeitos a alterações.

A escolha da data simbólica
A escolha de junho está relacionada com um fenómeno astronómico pouco frequente: nos dias 8 e 9 desse mês, Júpiter e Vénus irão surgir “a pouco mais de um grau de distância um do outro no céu, aproximadamente a largura de um polegar com o braço estendido”, de acordo com a organização sem fins lucrativos The Planetary Society. Alguns dias depois, Mercúrio deverá alinhar-se diagonalmente com os dois planetas.

Para além disso, Elon Musk celebra o seu aniversário nesse mês, no dia 28 de junho, fator que, segundo o Financial Times, também pesou na definição do calendário pensado para a operação.

A SpaceX pretende assim concretizar uma operação de dimensão sem precedentes nos mercados financeiros. Na semana passada, foi noticiado que a empresa estava a preparar a contratação do Bank of America, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley para assumirem papéis de liderança na estruturação da oferta.

Caso se confirme a avaliação de 1,5 biliões de dólares, o IPO da SpaceX tornar-se-á o maior de sempre, o que reflete a crescente centralidade da empresa no setor aeroespacial, das telecomunicações e das tecnologias avançadas.

Por outro lado, a insistência numa data considerada “auspiciosa” evidencia a influência direta de Elon Musk na SpaceX, onde decisões corporativas relevantes têm frequentemente refletido as convicções e prioridades pessoais do multimilionário, desde metas de produção ambiciosas a práticas de gestão pouco convencionais.

Musk tem um historial conhecido de misturar humor e simbolismo em decisões empresariais. Em 2018, anunciou publicamente a intenção de retirar a Tesla da bolsa a 420 dólares por ação, valor interpretado como uma referência ao dia 20 de abril, associado à cultura da canábis. Mais recentemente, após uma troca de acusações nas redes sociais relacionada com a compra do serviço Starlink pela Ryanair, Musk chegou a ameaçar adquirir a companhia aérea e substituir o diretor-executivo, Michael O’Leary, por alguém chamado Ryan.

Dúvidas sobre o calendário e riscos de mercado
Apesar do entusiasmo em torno da operação, alguns banqueiros e investidores consideram que uma OPI em junho poderá ser demasiado ambicioso. Alertam que a empresa ainda terá de submeter o formulário S-1 à Securities and Exchange Commission (SEC), documento obrigatório para notificar o regulador norte-americano da intenção de entrar em bolsa, além de organizar um roadshow internacional para promover as ações junto de investidores.

O sucesso de qualquer oferta estará também dependente das condições de mercado, que permanecem altamente voláteis. Este contexto é agravado pela incerteza gerada pelas frequentes ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas comerciais, bem como pelas suas tentativas de influenciar a política de taxas de juro da Reserva Federal.

Contactos com investidores e procura esperada
Bret Johnsen, diretor financeiro da SpaceX, tem mantido reuniões e chamadas por videoconferência com investidores privados desde meados de dezembro, com o objetivo de avaliar a viabilidade de uma OPI durante o ano de 2026.

A oferta deverá atrair uma procura significativa, tanto de investidores institucionais como de pequenos investidores, que até agora não tiveram acesso ao capital da empresa, dado que a SpaceX optou por permanecer privada ao longo dos últimos anos.

Segundo fontes próximas do processo, uma das principais motivações para a entrada em bolsa prende-se com a necessidade de angariar fundos adicionais para o desenvolvimento do sistema de foguetões Starship, concebido para missões a Marte.

A empresa tem também informado os investidores de que está a desenvolver tecnologia para instalar centros de dados no espaço, interligados através da sua rede de 9.400 satélites Starlink. Elon Musk considera esta infraestrutura essencial para garantir a competitividade do seu conglomerado no domínio da inteligência artificial, face a concorrentes como a Google e a OpenAI.

Em dezembro, a SpaceX manteve conversações para uma venda privada de ações que avaliaria a empresa em cerca de 800 mil milhões de dólares, mais do dobro da avaliação anterior, próxima dos 400 mil milhões.

No ano passado, a SpaceX investiu 2 mil milhões de dólares na xAI, outra empresa privada de Musk, que foi fundida com a plataforma X em março. O empresário manifestou ainda a intenção de que a Tesla venha a investir também na xAI.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.