Escândalo em Espanha: Vacinas fora de prazo administradas por erro a 253 pessoas, maioritariamente bebés

Os serviços de saúde do País Basco, em espanha, administraram por erro vacinas hexavalentes fora do prazo de validade a 253 pessoas, a maioria bebés, um incidente que, segundo o Governo regional, não provocou “qualquer tipo de afeção na saúde nem efeitos adversos”.

Pedro Zagacho Gonçalves

Os serviços de saúde do País Basco, em espanha, administraram por erro vacinas hexavalentes fora do prazo de validade a 253 pessoas, a maioria bebés, um incidente que, segundo o Governo regional, não provocou “qualquer tipo de afeção na saúde nem efeitos adversos”. As doses em causa tinham expirado “recentemente”, de acordo com as autoridades sanitárias bascas.

Em comunicado, a Direção de Saúde Pública assegurou que todos os casos estão “perfeitamente identificados” e que os serviços de saúde estão a contactar diretamente as famílias afetadas para prestar informação e transmitir as orientações necessárias, sublinhando uma mensagem de “tranquilidade”.

A situação foi tornada pública esta terça-feira pela coligação EH Bildu, que apresentou uma iniciativa parlamentar dirigida ao conselheiro da Saúde, Alberto Martínez, alertando para a administração de vacinas caducadas a “dezenas de crianças”. Na sequência da denúncia, o serviço público de saúde basco, Osakidetza, confirmou os factos e esclareceu que as doses foram administradas em 12 das 13 Organizações Sanitárias Integradas (OSI) existentes no País Basco, abrangendo quase todo o território.

Autoridades recomendam nova dose para garantir proteção máxima
Após analisar o ocorrido, o Conselho Consultivo de Vacinas do País Basco recomendou a administração de uma nova dose da vacina hexavalente, com o objetivo de “assegurar a máxima proteção”. Os centros de saúde iniciaram já os contactos com as famílias para agendar uma nova vacinação.

A vacina hexavalente é utilizada para prevenir seis doenças: difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, hepatite B e infeções causadas pela Haemophilus influenzae tipo B. A Direção de Saúde Pública indicou que o caso foi avaliado em articulação com a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS), com o Conselho Consultivo de Vacinas e com o fabricante da vacina, bem como com outros organismos especializados em saúde pública.

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EH Bildu acusa falhas graves nos procedimentos de Osakidetza
Na iniciativa parlamentar apresentada, a EH Bildu exige explicações ao conselheiro da Saúde e afirma que, em alguns casos, terá sido administrada uma segunda dose igualmente fora do prazo de validade. A coligação acusa ainda o serviço de saúde basco de não ter assegurado um controlo rigoroso da rastreabilidade das datas de validade das vacinas e de não ter cumprido “os procedimentos e protocolos estabelecidos”.

A deputada Rebeka Ubera, signatária da iniciativa, afirmou que, ao receberem vacinas caducadas, os menores afetados “ficam desprotegidos face a essas seis doenças, que podem ser graves”. Segundo Ubera, não se tratou de um erro pontual, mas de um “grave problema de organização e funcionamento dentro de Osakidetza”.

Lehendakari apela à calma e garante controlo da situação
O lehendakari Imanol Pradales pronunciou-se sobre o caso após uma reunião com o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa. Pradales garantiu que a situação “está monitorizada” e que todos os casos registados estão “perfeitamente controlados”.

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Relativamente à decisão de revacinar, explicou que, de acordo com a Agência Espanhola do Medicamento, essa medida “nem sequer seria necessária, porque não existe risco para a saúde”. Ainda assim, sublinhou que estão a ser mobilizados todos os meios para assegurar a revacinação dos afetados. O lehendakari apelou à “calma”, reiterando que “não há qualquer problema em termos de saúde para as pessoas”, e adiantou que o conselheiro da Saúde prestará mais esclarecimentos públicos na quarta-feira.

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