O almirante Henrique Gouveia e Melo registou uma quebra nas intenções de voto e caiu pela primeira vez para o terceiro lugar na corrida às eleições presidenciais de 2026. Segundo o mais recente Barómetro Intercampus para o Correio da Manhã, CMTV e Jornal de Negócios, o ex-chefe da Armada surge agora com 15,4% das intenções de voto, sendo ultrapassado por Luís Marques Mendes, que lidera com 16,6%, e por André Ventura, que sobe para 15,8%.
De acordo com os dados divulgados pelo Correio da Manhã, o estudo, realizado após o anúncio oficial da data das eleições — marcadas para 18 de janeiro de 2026 —, mostra um cenário de empate técnico entre os três candidatos, que se mantêm separados por margens reduzidas. O ex-ministro socialista António José Seguro, que recebeu recentemente o apoio do PS, desce 1,4 pontos percentuais face ao barómetro de agosto, fixando-se nos 12,3%. Ainda assim, surge logo atrás do trio da frente, embora com níveis de fidelização mais baixos entre os eleitores do seu partido. Apenas 33% dos apoiantes do PS declaram votar em Seguro, contra 43% dos eleitores da Aliança Democrática (AD) que dizem apoiar Marques Mendes e 72% dos votantes do Chega que confirmam o voto em Ventura.
Gouveia e Melo mantém, no entanto, alguma transversalidade partidária, recolhendo 20% das intenções de voto entre os eleitores da AD e do PS, mas apenas 6% entre os apoiantes do Chega. Já Cotrim de Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, regista 8,4% das intenções de voto, sem grandes variações, enquanto Catarina Martins, candidata do Bloco de Esquerda, sobe para 7,1%, um aumento superior a dois pontos percentuais. O comunista António Filipe, apoiado pela CDU, também regista uma ligeira subida, alcançando 4,6%, embora se mantenha nas posições mais baixas do ranking.
O barómetro revela ainda as tendências de uma eventual segunda volta. Pela primeira vez, Gouveia e Melo perde para Marques Mendes num confronto direto, embora vença António José Seguro. Marques Mendes, por sua vez, ganharia a Seguro com uma diferença próxima dos 10 pontos percentuais. Ventura continua a ser o candidato com pior desempenho em qualquer cenário de segunda volta, sendo “esmagado” por todos os principais adversários. Para os inquiridos, os atributos mais valorizados num Presidente da República são a seriedade e a honestidade, enquanto a experiência política e a independência partidária surgem entre os fatores menos relevantes.
O estudo também questionou os eleitores sobre o papel do Presidente na estabilidade governativa. A maioria (52,1%) considera que o chefe de Estado deve evitar demitir Governos, mesmo em caso de desempenho insatisfatório. De igual modo, 48,4% dos inquiridos dizem que seria negativo dissolver o Parlamento e convocar novas eleições devido a polémicas envolvendo o primeiro-ministro. O resultado confirma um sentimento generalizado de cansaço político após três eleições legislativas em apenas três anos (2022, 2024 e 2025), com a maioria a defender que a “bomba atómica” presidencial deve permanecer “na gaveta”.














