Opinião de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
Crónica: “Pés de elefante”
Que país… ter uma empresa, trabalhar e ser um especialista numa área, são condições de suspeita para se ser político! Por isso temos os políticos que temos. Alguém quer um ministro que não seja especialista da área que vai tutelar? E torna-se especialista como? Estudando mas também trabalhando previamente na área, ganhando experiência, cometendo erros e aprendendo com eles. Não vamos buscar membros do governo saídos da faculdade… E depois de serem ministros ou secretários de estado vão trabalhar para que área? A área em que são especialistas, aquela que tutelaram, claro! A sua mais valia é o conhecimento e especialização na área. Não é obrigatório que se vão aproveitar e beneficiar da sua carreira política pois já eram especialistas antes!
Mas ser político no ativo significa 2 coisas: que se é rico (pelos baixíssimos salários pagos) e que vão ser futuros desempregados (pela condição obrigatória de irem para o desemprego quando deixam de ser membros do governo). Quando deixam de ser ministros ou políticos a prestar serviço público, posteriormente não podem fazer nada porque há sempre alguém que levanta uma suspeita. Não é ilegal (mas dizem estes moralistas), é imoral ou pouco ético. Vamos acabar por ter carreiristas políticos, que só têm empresas e riqueza depois de serem políticos (não antes como nos casos que vêm a público).
Os políticos ou os ex-políticos devem ser escrutinados e regularmente avaliados. Sendo o voto o escrutínio final mas não o único. Só que o devem ser de forma imparcial, sem um prévio preconceito que são todos malfeitores ou especuladores imobiliários. Deve ser feita de forma objetiva para defender os cidadãos, os recursos do país, tornar transparente e credível a atividade nobre da política. Respeitando também a privacidade dos cidadãos, algo que estes “moralistas” tanto defendem (mas só para alguns, nomeadamente os próprios).
Viva a ignorância , o politicamente correcto, a “conversa fiada”, o estímulo ao populismo, a coscuvilhice, a distração dos assuntos sérios que importam, o afastamento das pessoas com qualidade da política mas também o jornalismo sem qualidade. Já esquecemos as “malas”, a “pedofilia”, “o despedimento de grávidas”, recordam? Os “fait divers” são mais importantes que a realidade que apenas é escandalosa por alguns segundos de fama.
Este país (ou alguns “paisanos”) “odeia o elevador social ”, o empreendedorismo, a geração de riqueza, tudo o que é privado, a presunção de seriedade e a possibilidade de inocência. Adora a pobreza, a desgraça, a mesquinhez, a crítica infundada, a regulação, a burocracia, a maledicência, o mexerico…
Talvez se estranhe e depois se entranhe! Por isso temos mesmo o país e os políticos que merecemos !!!




