Uma mensagem de texto com conteúdo considerado “suspeito” foi enviada esta segunda-feira a vários cidadãos iranianos, numa aparente referência a um eventual ataque dos EUA à República Islâmica, avançou o jornal espanhol ’20 Minutos’. O SMS afirmava que “o presidente dos EUA é um homem de ação, espere para ver”, numa alusão direta a Donald Trump, num momento de crescente tensão entre Washington e Teerão.
As autoridades iranianas confirmaram o envio da mensagem e abriram uma investigação. O vice-diretor da Polícia Cibernética (FATA), coronel Javad Mokhtar-Rezaei, declarou à agência ‘Fars’ que o número utilizado foi bloqueado e que está em curso um inquérito para apurar como ocorreu o acesso não autorizado ao sistema de mensagens e quais foram as dimensões técnicas da intrusão.
Segundo o responsável, qualquer falha no cumprimento das normas de segurança ou ação que facilite o uso abusivo da infraestrutura de comunicações do país poderá dar origem a processos judiciais. A prioridade, indicou, é identificar a origem da mensagem e perceber se se trata de uma operação externa com objetivos políticos ou de desinformação.
A divulgação do SMS ocorre num contexto de reforço da presença militar americana no Médio Oriente, num esforço para pressionar o Irão a aceitar um acordo sobre o seu programa nuclear. Nos últimos dias, responsáveis dos EUA admitiram a possibilidade de um ataque caso não haja entendimento, cenário que tem intensificado a retórica de confronto.
Também esta semana, Teerão sublinhou que um eventual ataque “limitado” por parte dos Estados Unidos seria considerado “um ato de agressão” que desencadearia uma resposta “decisiva”. O clima de tensão reacende receios de escalada militar numa região já marcada por instabilidade prolongada.
O episódio surge num momento particularmente sensível, quatro anos após a invasão russa da Ucrânia e com o Médio Oriente sob pressão diplomática e militar. A circulação da mensagem anónima amplificou o ambiente de incerteza entre a população iraniana, numa fase em que as negociações nucleares permanecem frágeis e a retórica entre Teerão e Washington continua a endurecer.







