Esta sexta-feira realiza-se a reunião entre a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, e representantes do Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol), no âmbito do processo negocial iniciado em setembro. O encontro acontece num contexto de crescente descontentamento da classe policial, que tem vindo a denunciar a desvalorização profissional e salarial, bem como a diminuição do número de efetivos no país.
O Sinapol iniciou esta semana uma série de protestos em Lisboa, consistindo na distribuição de folhetos informativos nos terminais ferroviários e rodoviários, no aeroporto e na gare marítima. O objetivo é alertar os cidadãos para a situação das forças de segurança, evidenciando que a carreira policial não tem sido devidamente valorizada, com consequências diretas para a segurança pública e a sustentabilidade da profissão a médio e longo prazo.
O presidente do Sinapol, Armando Ferreira, explicou que estas ações visam demonstrar a “inércia governamental em solucionar os inúmeros problemas dos polícias”. Segundo Ferreira, a constante desvalorização da carreira tem levado a que haja cada vez menos polícias em serviço e um número reduzido de candidatos à profissão, comprometendo a eficiência das forças de segurança.
O protesto de hoje decorre na Praça do Comércio, coincidindo com a reunião do Sinapol com a ministra Maria Lúcia Amaral. Armando Ferreira esclareceu que não estará presente no encontro, permanecendo no exterior a distribuir folhetos, justificando a ausência pelo facto de não considerar estas reuniões como verdadeiras negociações. “Não queremos reuniões, queremos negociações”, sublinhou, afirmando desconhecer as intenções da ministra relativamente ao setor policial.
O Sinapol exige medidas concretas de valorização profissional e salarial, face à falta de respostas do Governo. As reivindicações centram-se em:
- Reforço de efetivos, combatendo a redução de polícias no ativo;
- Melhorias salariais, ajustando os vencimentos à complexidade e exigência da função;
- Reconhecimento da carreira, valorizando progressão, formação e estabilidade profissional;
- Garantia de condições que assegurem a segurança pública e a sustentabilidade das forças de segurança.
Na reunião de hoje estarão presentes outros dirigentes do sindicato, que representarão os interesses dos profissionais, enquanto a ministra Maria Lúcia Amaral ouvirá as reivindicações e procurará estabelecer um diálogo sobre as soluções possíveis.
O protesto paralelo à reunião pretende sensibilizar o público para os problemas do setor policial, especialmente a redução de efetivos e a falta de valorização. Segundo Armando Ferreira, “estas ações têm como objetivo chamar a atenção para a urgência de medidas concretas que valorizem profissional e salarialmente os polícias portugueses”.














