Ângelo Ramalho, CEO da Efacec, defendeu, em entrevista ao jornal “Observador”, a saída de Isabel dos Santos da empresa portuguesa, onde a filha do ex-Presidente angolano ainda detém mais de 67% do capital (à venda).
«Nada pior pode acontecer a uma organização empresarial do que ter um accionista fragilizado e num quadro como aquele que é o conhecido. Não só do ponto de vista da confiança, como até do ponto vista da reputação» e, portanto, «temos urgência absoluta em que o processo se clarifique e que se materialize a vontade que foi manifestada no dia 23 de Janeiro da, ainda, actual accionista – embora sem poderes nenhuns na organização – mas que foi materializado, a pedido do Conselho Administração, de colocar a sua posição em mercado», afirmou o administrador-executivo da Efacec.
Questionado sobre o facto de a Efacec ter pedido junto da banca um novo empréstimo, com garantia, Ângelo Ramalho falou em bloqueios. «Desde o início do ano que a Efacec tem um bloqueio bancário em permanência. Estamos há seis meses sem relação fluída com a banca, portanto não temos nem linhas de financiamento nem a trade finance necessária ao desenvolvimento das nossas operações», referiu, sublinhando que «certamente que isto tem por origem a crise accionista que se instalou logo no início do ano». «Aliás, ainda o ano não tinha acabado havia já notícias que indicavam que algo verdadeiramente impactante na vida da Efacec», acrescentou ao “Observador”, referindo-se ao caso “Luanda Leaks”.
Uma coisa é certa: «Não é possível manter uma organização empresarial com as características da Efacec muito mais tempo isolada do sistema do sistema bancário que a financia e portanto todas as partes interessadas e o Governo português certamente estão a procurar encontrar uma solução que convirja na perenidade na prioridade da empresa».
Quanto à compra da Efacec, disse que «a empresa tem tantos interessados como nunca teve, quando passou por um processo desta natureza». «No final do mês receberemos ofertas não vinculativas e o processo continuará a partir daí», adiantou, detalhando que estas manifestações de interesse são de várias geografias: Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Médio Oriente, Estados Unidos e de Portugal também.







