Moscovo tenta recuperar acesso ao Starlink: Rússia ameaça famílias de prisioneiros ucranianos para se registarem no sistema de Elon Musk

inistério da Defesa da Ucrânia, em cooperação com engenheiros da SpaceX, conseguiu recentemente desativar terminais Starlink usados ilegalmente por unidades russas, que eram utilizados para comunicações e para a operação de drones em território ucraniano

Francisco Laranjeira
Fevereiro 10, 2026
15:39

As forças russas estão a ameaçar e coagir familiares de prisioneiros de guerra ucranianos para que registem terminais de satélite Starlink em seu nome, com o objetivo de os utilizar em operações militares russas, informou esta terça-feira o Quartel-General de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra da Ucrânia, citado pelo ‘Kyiv Post’.

Segundo o mesmo organismo, o Ministério da Defesa da Ucrânia, em cooperação com engenheiros da SpaceX, conseguiu recentemente desativar terminais Starlink usados ilegalmente por unidades russas, que eram utilizados para comunicações e para a operação de drones em território ucraniano.

Num comunicado, o Quartel-General refere que, após essas desativações, forças russas passaram a pressionar familiares de prisioneiros de guerra, recorrendo a ameaças e chantagem para os forçar a registar oficialmente os equipamentos.

As autoridades ucranianas alertam que os terminais assim registados seriam usados contra a Ucrânia, incluindo para orientar ataques com drones contra infraestruturas civis.

O Quartel-General sublinha que qualquer forma de cooperação com as forças russas representa um risco elevado, uma vez que o registo oficial de um terminal implica verificação de identidade, permitindo identificar o titular do equipamento.

Segundo o comunicado, a utilização de um terminal registado em nome de um cidadão ucraniano para fins militares russos pode dar origem a responsabilidade criminal, caso o equipamento seja usado em ataques que provoquem destruição ou vítimas.

O alerta surge poucos dias depois de uma troca de prisioneiros realizada a 5 de fevereiro, que permitiu o regresso de 157 ucranianos detidos pela Rússia. A operação foi a primeira troca de prisioneiros em 2026 e a 71ª desde o início da invasão russa em grande escala.

As autoridades ucranianas afirmam que, após restrições impostas ao acesso ao serviço, a maioria das unidades russas perdeu conectividade via Starlink, levando Moscovo a procurar alternativas para restaurar comunicações no campo de batalha.

A Ucrânia implementou entretanto um sistema de autorização prévia, que permite apenas a ligação de terminais Starlink aprovados pelas autoridades, bloqueando dispositivos que se suspeita estarem sob controlo russo.

O Quartel-General de Coordenação apelou a que qualquer pessoa alvo de ameaças ou exigências para registar terminais Starlink contacte imediatamente as autoridades ucranianas, para receber instruções sobre como agir.

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