A Rússia declarou-se preparada para expandir a cooperação com o Irão em todos os setores, numa altura em que as tensões que envolvem o programa nuclear iraniano estão muito elevadas. O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em resposta às perguntas dos jornalistas dobre a posição de Moscovo relativamente às negociações nucleares com Teerão.
“A Rússia está definitivamente pronta para expandir a cooperação com o Irão em todas as áreas. O Irão é nosso parceiro e as nossas relações estão a desenvolver-se de forma muito dinâmica”, afirmou Peskov, acrescentando que os países europeus estão a exercer “pressão excessiva” sobre Teerão, tornando a situação “muito complicada”.
Segundo adiantou o Kremlin, um enviado do presidente russo Vladimir Putin vai reunir-se ainda hoje com Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, menos de uma semana após Larijani ter transmitido a Putin uma mensagem do líder supremo iraniano, o Aiatola Ali Khamenei.
Recorde-se que, em janeiro deste ano, Putin e o seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram um acordo de parceria estratégica, que, segundo Moscovo, não contém cláusula de defesa mútua. A Rússia fornece legalmente equipamento militar ao Irão, enquanto Teerão tem apoiado Moscovo com drones utilizados na guerra na Ucrânia, fortalecendo assim a cooperação militar entre os dois países.
Para além da vertente militar, a Rosatom, gigante estatal russa de energia nuclear, assinou no mês passado um contrato de mais de 20 mil milhões de euros para a construção de quatro novas centrais nucleares no Irão. O país sofre de carências energéticas e possui atualmente apenas uma central nuclear operacional, em Bushehr, e que foi construída precisamente pela Rússia no sul do Irão.
A estreita colaboração russo-iraniana surge num contexto de condenação dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações nucleares iranianas, realizados com o objetivo declarado de impedir Teerão de desenvolver uma arma nuclear — algo que o Irão nega categoricamente.
O reforço desta parceria estratégica coloca Moscovo numa posição de apoio direto a Teerão, não apenas na vertente militar, mas também no desenvolvimento energético, ao mesmo tempo que a Rússia mantém um posicionamento crítico face à pressão europeia sobre o programa nuclear iraniano.














