A 20 de julho de 1969, conheceram-se as primeiras palavras ditas por um ser humano na Lua: “Houston, aqui Base Tranquilidade. A águia já aterrou”, por Neil Armstrong. Agora, o Artemis 1 da NASA, mais de 50 anos depois, ultima preparativos para o lançamento rumo ao satélite natural da Terra.
A Lua tornou-se novamente interessante, tanto para empresas privadas como a SpaceX como para as demais agências. A China, por exemplo, tem planos para construir com os russos uma base lunar. “Estamos numa fase muito interessante para a exploração. Muita gente quer ir para a lua e isso é algo de muito bom”, explicou, em entrevista, Kathryn Lueders, diretora associada de Operações da NASA.
A missão Artemis 1 consiste numa jornada de aproximadamente 26 dias a 450 mil quilómetros de distância da Terra, para circundar a Lua e depois voltar ao nosso planeta. Sem tripulação, o voo testará o SLS e a Orion para garantir que eles sejam capazes de transportar humanos com segurança para o espaço e de volta no futuro.
Aproximam-se dias entusiasmantes conforme se aproxima o lançamento: no Centro Espacial Kennedy, no Cabo Canaveral, vai assistir-se à transferência do foguetão mais poderoso do mundo (SLS, Sistema de Lançamento Espacial) com a nave Orion para a plataforma de lançamento 39B para realizar uma série de testes antes da descolagem da missão Artemis 1 – inicialmente planeado para o final de 2021, este será o primeiro teste do foguetão que irá para a lua. A data final do voo vai ser estabelecida quando terminarem os testes que serão feitos estas semanas mas, segundo Lueders, é provável que “no início de junho haja marga suficiente para deixar tudo pronto”.
This illustration will soon be a reality! In a couple of days, the SLS and @NASA_Orion will roll out of the VAB at @NASAKennedy for its final test before launch of @NASAArtemis I. Will you be watching rollout live?
Coverage info HERE >> https://t.co/bttDeMjo7Z pic.twitter.com/YCv2xpolhl
— NASA_SLS (@NASA_SLS) March 15, 2022
Buzz Aldrin, o único astronauta do Apolo 11 que ainda está vivo, não escondeu esta semana a sua satisfação com a possibilidade de ser testemunha do regresso à lua. “Pela primeira vez em mais de 50 anos, um foguetão lunar vai ser conduzido para uma plataforma de lançamento. Este momento histórico representa um novo passo no regresso à superfície lunar”, referiu o antigo astronauta nas redes sociais.
A transferência (ou um ‘roll out’) é um espetáculo de engenharia: 10 horas e 23 minutos foi o tempo que levou um dos rastreadores (veículos com lagartas usadas para transportar os foguetões), a 17 de março, para cumprir os 6,8 km que separam o hangar da plataforma para transportar a estrutura que tem cerca de 100 metros de altura.
Durante a fase atual de testes, que incluem o chamado ensaio molhado e a realizar-se previsivelmente nos primeiros dias de abril, vão verificar-se todos os sistemas, vai proceder-se ao abastecimento e ensaiar os procedimentos da contagem regressiva. Depois, a estrutura regressa ao hangar para remover os sensores, recarregar baterias e fazer as últimas verificações. “Estamos a estabelecer como vamos levar os nossos astronautas para a lua. Estes lançamentos são possíveis graças a uma combinação de anos de trabalho duro. Estes testes são uma atividade crítica onde tendemos a descobrir e a aprender coisas e por isso são feitos num veículo sem astronautas”, explicou Kathryn Lueders.
Depois do Artemis 1, está na calha o Artemis 2, planeado para 2024, que esse sim, vai levar astronautas até à órbita lunar mas a aterragem na Lua não será feita até ao Artemis 3, no qual viajarão dois tripulantes (uma mulher e um homem).
O regresso à Lua não foi feito sem atrasos. Donald Trump, antigo presidente americano, ‘desfez’ os planos de Barack Obama para a NASA, a favor da centralização de esforços para viajar para Marte. A Administração Trump definiu 2024 como o ano do lançamento do Artemis 3, a missão de alunagem. Mas, segundo Bill Nelson, diretor da NASA, esse prazo foi muito otimista, o que, adicionado ao atraso no desenvolvimento de vários componentes assim como a pandemia da Covid-19, forçou a adiar a missão para “nunca antes de 2025”. Mas será possível ou é igualmente otimista? “A equipa tem algumas previsões. Se o Artemis 1 estiver bem, se o Artemis 2 passar os testes de sistemas de pouso na Lua, então pode ser possível lançar o Artemis 3 em 2025. Mas há muitas coisas que têm de correr bem para que isso aconteça”, frisou Lueders.



