Redes sociais podem ser a arma secreta do Irão

Não é só com as bombas nucleares que os Estados Unidos da América se devem preocupar.

Filipa Almeida

Não é só com as bombas nucleares que os Estados Unidos da América se devem preocupar. O Irão tem outra arma secreta para adensar ainda mais o conflito: as redes sociais. Segundo a revista Fortune, o Irão pode recorrer a plataformas como o Facebook para disseminar informações erradas e notícias falsas. Campanhas de desinformação também podem ser um aliado de peso na escalada da tensão.

Apesar de este tipo de actividade surgir mais associado à Rússia, lembra a mesma publicação, o Irão também apresenta um histórico de utilização do Facebok, Twitter e Instagram para promover as suas ideias. Em Agosto de 2018, por exemplo, o Twitter anunciou que tinha removido 2.617 contas iranianas associadas a actividade maliciosa. Em Maio do ano seguinte, o Facebook fazia um anúncio semelhante, embora não indicasse o número exacto de páginas ou grupos banidos.



Muitas das contas removidas apresentavam-se como sendo geridas por pessoas nos Estados Unidos da América ou Europa, mas seria apenas fachada. Em alguns casos, explica Nathaniel Gleicher, responsável de Cybersecurity Policy no Facebook, fingiam ser jornalistas ou outras personalidades e tentavam contactar legisladores, repórteres, académicos, dissidentes iranianos ou figuras públicas.

O foco parecia estar especialmente na possibilidade de influenciar as relações entre os Estados Unidos da América e o Irão, acrescenta Zack Allen, director de Threat Operations na ZeroFox. “No racism no war”, “Wake Up America” e “I Need Justice Now” eram alguns dos nomes destas páginas removidas.

Com a morte de Soleimani, Zack Allen acredita que é possível que o Irão se volte de novo para as redes sociais, na esperança de fortalecer a imagem do país. «É relativamente seguro assumir que vão aumentar os seus esforços», afirma o especialista à Fortune.

Segurança online

Mas esta não é a única arma online que o Irão apresenta. O Deparment of Homeland Security dos Estados Unidos da América emitiu um alerta no sábado passado com a indicação de que o Irão possui um programa online robusto e que pode executar ataques cibernéticos.

O Irão deverá ser capaz, por exemplo, de afectar, ainda que temporariamente, infra-estruturas fundamentais do país liderado por Donald Trump, de acordo com esta entidade governamental. Os alvos poderão ir de hospitais a grandes empresas privadas.

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