Por Francisco Carvalheira, Secretário-Geral da LAUREL – Associação Portuguesa de Marcas de Excelência
A ECCIA é uma associação que congrega as 600 marcas de luxo e excelência mais importantes da Europa no que toca às indústrias criativas. Estas marcas que já contam com décadas de história servem de farol ou melhor de exemplo de boas praticas às restantes. E é exatamente das marcas que vem a força e a importância da ECCIA.
A adesão a esta associação de grande relevância internacional, é um importante reconhecimento da excelência do património imaterial de qualquer país. Mas, neste caso específico, o português. Do legado dos nossos artífices, e que representará uma relevante montra internacional da nossa cultura e do “saber fazer português” no seu sentido mais vasto. Através de ações e sinergias que são estabelecidas com os parceiros, é criado um reforço cada vez maior do posicionamento nacional e internacional, assim como de marcas emergentes que necessitem desta importante alavancagem.
Falamos muitas vezes de marca, mas sabemos qual é o seu valor e importância? Ora vejamos, a marca é a forma da representação simbólica de qualquer atividade, algo que nos identifica, que transmite a nossa identidade, os nossos valores, em suma o nosso ADN.
Portugal tem excelentes capacidades produtivas, fornece e fabrica para as melhores marcas da Europa, mas tem um grande défice de marcas.
Temos que ter vontade de começar a procurar novos caminhos, um trabalho que obrigatoriamente será de médio e longo prazo, e que não pode estar dependente de terceiros, têm de ser os nossos empresários a fazer esse caminho, um caminho duro, mas que cria história, cria o que nós queremos ser, identifica quem somos e porque somos, cria uma maior riqueza, e no seu conjunto cria a verdadeira marca de um país.
Com adesão das marcas de excelência portuguesas à ECCIA em setembro de 2022, as marcas nacionais passaram a ter uma visibilidade até então impossível e inimaginável. É notório o reconhecimento da qualidade do saber-fazer português além-fronteiras, aliás foi isso mesmo que nos permitiu ter acesso a um conjunto de mais valias – melhores práticas e referências do que se faz na Europa – que em muito vão contribuir para que as marcas portuguesas possam usufruir do conhecimento e de programas de cross branding.
A grande maioria do luxo é produzido na Europa, mas a venda é pelos cinco continentes, com especial ênfase na América do Norte, Médio e Extremo Oriente. Por cá, vendemos a nossa história, vendemos o saber-fazer europeu, vendemos emoções. O nosso mercado regista excelentes taxas de crescimento, o que significa que as empresas portuguesas têm aqui um mar de oportunidades.
Tanto que Portugal recebeu em março, a visita ilustre de representantes das marcas de excelência do mercado italiano (Altagamma) e inglês (Walpole) e a Marca Inglesa Harrods. Os estudos e números que foram apresentados foram cruciais para que entendamos bem a dimensão das oportunidades seja no mercado nacional seja internacional. No plano estratégico da ECCIA o principal pilar é o de proteger, divulgar e desenvolver o saber-fazer europeu, nomeadamente o legado de séculos que chegou ao dia de hoje, a fim de evitar o desaparecimento de inúmeras marcas de luxo e excelência. A perda do Saber Fazer é a perda da identidade e história dos povos. O trabalho que a ECCIA está a desenvolver com os governos locais e em Bruxelas é no sentido de serem criadas medidas e programas que visem relançar as bases para atrair os jovens para as profissões de artífices, valorizando estas profissões através do seu reconhecimento e formação.
Mas a ECCIA está igualmente a trabalhar com a Comissão Europeia no sentido de proteger as nossas Marcas com um vasto trabalho, na área fiscal através de acordos fiscais fora da CE – Import & Export – Taxation and Trade, na área da proteção das nossas marcas no que diz respeito à contrafação, direitos de autor, e nas políticas de e Commerce.




