Randstad Insight: Futurologia data driven

Por José Miguel Leonardo | CEO Randstad Portugal

Acabou a silly season e esta foi uma pausa e não um começo. 2018 enfrenta desafios nesta recta final.

Alterações da legislação laboral, o regime geral da protecção de dados na prática, o Google for Jobs que em breve estará também em Portugal, a atractividade das empresas e do nosso País para trabalhar e os salários médios que teimam em ser cada vez mais o salário mínimo. A escassez de pessoas que é também a desadequação dos perfis, a “tentativa” de atrair a diáspora mas a necessidade de uma real proposta de valor do mercado de trabalho em Portugal, as competências que são cada vez mais digitais mas que nunca exigiram tanto das soft skills.

E se os desafios pareciam ser “poucos”, é preciso não dar nada por garantido.

Será que Portugal vai continuar como um destino de excelência, uma moda, mas por quanto tempo? Uma proposta apenas turística ou com outras dimensões? Serão os próximos quatro meses uma continuação moderada da descida da taxa de desemprego e a introdução de soluções cada vez mais tecnológicas no sector dos recursos humanos e na gestão de pessoas? Ou, pelo contrário, teremos a disrupção, o tão ameaçador “uber” irá surgir e desafiar o que hoje conhecemos. Mas afinal, o que é que nos reserva o amanhã?

A futurologia é cada vez menos magia ou um tiro de sorte para ser o resultado de algoritmos e dados que se transformam em gráficos e suportam o processo de decisão.

Não são estas máquinas que vão dar as respostas ou muito menos ditar o destino. São, sim, as pessoas e a sua capacidade de interpretar comportamentos económicos e sociais que podem decidir, decidir reduzindo o risco e a margem de erro, decidir sem esperar grandes projectos mas cortando o “monstro” às fatias, experimentando e assim andando para a frente, com pequenos sucessos e insucessos, reconhecendo o objectivo e onde se quer chegar. Nem todos vão acertar, os dados mesmo os credíveis, os fiáveis são previsões, são probabilidade que interligam milhares de factores e que nos podem levar a cenários mais ou menos optimistas. Não são um botão, muito menos uma resposta certa, mas são uma vírgula, são o que nos permite decidir, sem ser de olhos fechados.

Os data scientists já são uma realidade na maioria das empresas, o analytics vulgarizado nos sites entra cada vez mais para os ERPs e dados de negócio e muitos sectores já têm sistema de apoio à decisão cada vez mais robustos. Mas é preciso confiar e ouvir. Temos de compreender o que os dados dizem e de deixar que estes sejam um caminho. Interpretar os números em vez de os negar. E digo começar a mudar o mindset porque os estudos de tendências não são novidade. São fontes que nos acompanham na gestão, que nos levam ao palco das conferências mas que custam a entrar no processo de decisão e a efectivar a mudança. É sempre mais fácil duvidar do que deixar-se influenciar e muitas vezes mais do que mudar, importa transformar a forma como sempre fizemos, como abordámos e como até hoje pensámos que era a forma certa. Não há dados, não há tecnologia e não há sistema que dite o futuro, porque sem pessoas nenhum deles é interpretado, não decidem. Por isso, num mundo em que os dados nos podem guiar vamos “adivinhar” o futuro, sair da zona de conforto e ajudar através da liderança que não é hierárquica mas relacional a este processo de mudança. Uma transformação que não é dos escritórios, do imobilizado, do analytics, mas que é essencialmente das pessoas.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 150 de Setembro de 2018.

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