Quer ser rico, estude

Por Paulo Carmona

Filipa Almeida

Os ricos do amanhã são os estudantes de hoje. Uma mobilidade social que tem como base o conhecimento e não as heranças ou os contactos da família.

Por Paulo Carmona



Os recentes sucessos de empresas portuguesas tecnológicas, unicórnios ou empresas 4.0 colocam desafios à forma como podemos questionar e prever o Portugal 2030.

Primeiro, a valorização de algumas dessas empresas, pensadas e viradas para um mundo global, ultrapassa em muito alguns bancos e empresas portuguesas tradicionais, viradas para o mercado interno. Ou seja, o valor é reconhecido a quem desafia o mundo e vence, por comparação com quem faz de Portugal o seu mercado e os seus amigos de negócios. Isso leva a que os verdadeiros ricos, aqueles que possuem activos valorizados e sem dívida, sejam portugueses que tiveram uma ideia e a concretizaram, no mundo da tecnologia. E a morar convenientemente no estrangeiro, com acesso a capital, talento e fiscalidades não destrutivas. Vejam, por exemplo, o caso de José Neves e a sua subida ao top 3 dos portugueses mais ricos, em fortuna líquida, sem dívida.

Segundo, essas empresas de futuro destroem a narrativa da luta de classes, do velho patrão explorador e de algum sindicalismo. A empresa moderna e tecnológica está, pelo contrário, preocupada em tratar muito bem e reter o seu talento, numa economia do conhecimento em que os seus trabalhadores são reis e senhores, disputados por todas as empresas. Um moderno director de Recursos Humanos tem hoje bastante trabalho em motivar e remunerar adequadamente o seu talento e não o deixar fugir.

Terceiro, a velha, mas real, percepção, de que os trabalhadores com talento serão disputados, enquanto quem não dispuser de conhecimento será preterido para tarefas com menos valor acrescentado ou robotizadas. Isso, como é repetido, causará situações de maior desigualdade e exclusão social com base no talento de cada um. Quem hoje tiver oportunidade e vontade de estudar e reter conhecimento verá uma diferença enorme na sua vida profissional e financeira, por comparação com os que não aproveitam ou não querem estudar. Daí que o investimento na educação e formação seja hoje essencial para que Portugal se assuma amanhã como um País de talentos na globalização e valorização do conhecimento.

Em resumo, os ricos do amanhã são os estudantes de hoje. Uma mobilidade social com base no conhecimento e não nas heranças ou nos contactos da família. Convém é que as oportunidades sejam democratizadas e que todos, e não apenas as famílias endinheiradas, possam escolher a escola ou o colégio dos seus filhos, numa igualdade de facto e não apenas no papel, ultrapassando os tabus ideológicos do 5 de Outubro e a obsessão público/privado.

Este artigo foi publicado na edição de Fevereiro de 2019 da Executive Digest.

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