Não há benefícios para a saúde do consumo de álcool em pessoas com menos de 39 anos, segundo apontou um novo estudo global publicado na revista científica ‘The Lancet’: o relatório sugere que as recomendações de álcool devem ser baseadas na idade e na localização, com restrições mais rígidas para homens entre os 15 e 39 anos.
Para a realização do estudo, os investigadores utilizaram estimativas de álcool em 204 países e calcularam que 1,34 mil milhões de pessoas beberam quantidades prejudiciais em 2020 – a partir dos dados do relatório ‘Global Burden of Disease 2020″, conseguiram medir o quanto uma pessoa pode beber antes de arriscar a sua saúde.
Assim, em todas as regiões consideradas no estudo foi apontado que a maior parte da população que bebia quantidades inseguras de álcool eram homens com idades entre os 15 e 39 anos. Embora o estudo tenha concluído que pode haver pequenos benefícios de algum consumo de álcool para adultos com mais de 40 anos, não há benefício para pessoas mais jovens.
“A nossa mensagem é simples: os jovens não devem beber mas os mais velhos podem beneficiar se beberem em pequenas quantidades. Embora possa não ser realista pensar que os jovens adultos vão abster-se de beber, achamos importante comunicar as evidências mais recentes para que todos possam tomar decisões informadas sobre a sua saúde”, relatou a autora sénior Emmanuela Gakidou, professora de Ciências de Métricas da Saúde da Universidade da Escola de Medicina de Washington, em comunicado.
O estudo concluiu que os homens entre 15 e 39 anos podem consumir um décimo de uma bebida alcoólica padrão antes de incorrer em riscos à saúde. Mas, apesar dos pequenos benefícios para os adultos mais velhos, a ingestão diária recomendada para essa faixa etária permaneceu abaixo dos dois copos por dia.
“Mesmo que seja adotada uma abordagem conservadora e o nível mais baixo de consumo seguro seja usado para definir recomendações políticas, isso implica que o nível recomendado de consumo de álcool ainda é muito alto para populações mais jovens”, reconheceu o principal autor do estudo, Dana Bryazka.
“As nossas estimativas, com base em evidências atualmente disponíveis, suportam diretrizes que diferem por idade e região”, continuou Bryazka. “Compreender a variação no nível de consumo de álcool, que minimiza o risco de perda de saúde para as populações, pode ajudar a estabelecer diretrizes de consumo eficazes, apoiar políticas de controlo de álcool, monitorizar o progresso na redução do uso nocivo de álcool e projetar mensagens de risco à saúde pública.”








