Qualquer quantidade de álcool não é saudável para pessoas com menos de 40 anos, aponta estudo

Embora se tenha concluído que pode haver pequenos benefícios de algum consumo de álcool para adultos com mais de 40 anos, não há benefício para os mais jovens.

Francisco Laranjeira

Não há benefícios para a saúde do consumo de álcool em pessoas com menos de 39 anos, segundo apontou um novo estudo global publicado na revista científica ‘The Lancet’: o relatório sugere que as recomendações de álcool devem ser baseadas na idade e na localização, com restrições mais rígidas para homens entre os 15 e 39 anos.

Para a realização do estudo, os investigadores utilizaram estimativas de álcool em 204 países e calcularam que 1,34 mil milhões de pessoas beberam quantidades prejudiciais em 2020 – a partir dos dados do relatório ‘Global Burden of Disease 2020″, conseguiram medir o quanto uma pessoa pode beber antes de arriscar a sua saúde.



Assim, em todas as regiões consideradas no estudo foi apontado que a maior parte da população que bebia quantidades inseguras de álcool eram homens com idades entre os 15 e 39 anos. Embora o estudo tenha concluído que pode haver pequenos benefícios de algum consumo de álcool para adultos com mais de 40 anos, não há benefício para pessoas mais jovens.

“A nossa mensagem é simples: os jovens não devem beber mas os mais velhos podem beneficiar se beberem em pequenas quantidades. Embora possa não ser realista pensar que os jovens adultos vão abster-se de beber, achamos importante comunicar as evidências mais recentes para que todos possam tomar decisões informadas sobre a sua saúde”, relatou a autora sénior Emmanuela Gakidou, professora de Ciências de Métricas da Saúde da Universidade da Escola de Medicina de Washington, em comunicado.

O estudo concluiu que os homens entre 15 e 39 anos podem consumir um décimo de uma bebida alcoólica padrão antes de incorrer em riscos à saúde. Mas, apesar dos pequenos benefícios para os adultos mais velhos, a ingestão diária recomendada para essa faixa etária permaneceu abaixo dos dois copos por dia.

“Mesmo que seja adotada uma abordagem conservadora e o nível mais baixo de consumo seguro seja usado para definir recomendações políticas, isso implica que o nível recomendado de consumo de álcool ainda é muito alto para populações mais jovens”, reconheceu o principal autor do estudo, Dana Bryazka.

“As nossas estimativas, com base em evidências atualmente disponíveis, suportam diretrizes que diferem por idade e região”, continuou Bryazka. “Compreender a variação no nível de consumo de álcool, que minimiza o risco de perda de saúde para as populações, pode ajudar a estabelecer diretrizes de consumo eficazes, apoiar políticas de controlo de álcool, monitorizar o progresso na redução do uso nocivo de álcool e projetar mensagens de risco à saúde pública.”

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