Vladimir Putin cancelou esta terça-feira um decreto que reconhecia a soberania da Moldávia na resolução da disputa sobre a região separatista da Transnístria, apoiada por Moscovo – o decreto, promulgado em 2012, quando as relações da Rússia com o Ocidente eram menos tensas, foi anulado para “garantir os interesses nacionais da Rússia” após “mudanças profundas nas relações internacionais”, segundo se pôde ler no site do Kremlin.
A Transnístria é uma região de língua russa que não é reconhecida internacionalmente como independente. Antes da dissolução da União Soviética, separou-se da Moldávia – em 1992, a guerra entre a recém-independente Moldávia e os separatistas foi seguida pela presença de ‘soldados da paz’ russos desde então.
Alexandru Flenchea, presidente da comissão de controlo conjunto da Moldávia na zona de segurança em torno da Transnístria, insistiu que a Moldávia e a Rússia tinham um acordo político que “prevê respeito mútuo pela integridade territorial dos nossos países”, revelou.
A decisão de cancelamento de Putin segue na sequência de acusações de que a Rússia tinha em marcha um plano para desestabilizar a Moldávia. Na última semana, a presidente moldava, Maia Sandu, acusou Moscovo de conspirar para derrubar o seu Governo.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sublinhou que a Rússia planeava capturar o aeroporto da capital Chisinau para enviar reforços militares russos e assim abrir uma nova frente para a Ucrânia a partir da Transnístria. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro moldavo, Dorin Recean, que garantiu que “apesar dos vário cenários de desestabilização, as nossas instituições estão preparadas para enfrentar tais desafios”.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Moldávia, Nikolae Popescu, minimizou a ameaça russa ao seu país – em entrevista ao ‘The Financial Times’, garantiu que “não vemos o risco de cenários militares num futuro próximo da fronteira com a Moldávia”, embora haja uma ameaça da Rússia de “ações subversivas híbridas”.



