A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil vai manter o estado de alerta em todo o território continental, apesar de ser esperado um desagravamento gradual das condições meteorológicas nos próximos dias. O comandante nacional, Mário Silvestre, explicou ao final da tarde desta quarta-feira que a melhoria do tempo permitirá gerir melhor as albufeiras e reduzir impactos, mas advertiu que o perigo está longe de desaparecer, sobretudo no que diz respeito a cheias e movimentos de massa.
Em conferência de imprensa, o responsável sublinhou que a diminuição da intensidade da chuva “permitirá fazer gestão das albufeiras, garantindo que conseguiremos minimizar as consequências da continuidade da precipitação”, mas frisou que a prioridade continua a ser a prevenção. Segundo afirmou, a Proteção Civil vai “continuar a apelar a muito cuidado e alerta com a questão hidrológica, relativamente às cheias, e sobretudo quanto às derrocadas”, fenómenos que, disse, continuam a ocorrer “um pouco por todo o país” e já estão a afetar estradas, habitações e diversas infraestruturas.
Rios sob vigilância apertada
As autoridades identificam um risco significativo de inundações em várias bacias hidrográficas, com especial preocupação nos rios Mondego, Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda e Sado. Em paralelo, mantêm-se sob monitorização outras linhas de água onde o risco de transbordo é também relevante, como o Minho, Coura, Lima, Ave, Cávado, Douro, Tâmega, Sousa, Lis, Nabão e Guadiana.
No caso do Tejo, o plano especial para cheias da bacia mantém-se ativado no nível máximo — vermelho — refletindo o potencial impacto das descargas e da acumulação de caudais.
Perante o cenário, a resposta operacional foi reforçada a nível nacional. Estão atualmente ativados 12 planos distritais de emergência e proteção civil, bem como 125 planos municipais. Acrescem 15 declarações formais de situação de alerta emitidas por autarquias.
Desde o início do período de mau tempo, a Proteção Civil contabiliza 15.640 ocorrências, mobilizando mais de 53 mil operacionais e mais de duas dezenas de meios no terreno para ações de socorro, proteção e reposição de normalidade.
As situações mais frequentes continuam a ser quedas de árvores e inundações, mas os movimentos de massa — que incluem deslizamentos de terras e derrocadas — assumem especial gravidade. Só este tipo de fenómeno já ultrapassou as duas mil ocorrências registadas.
Mário Silvestre alertou que o impacto destas instabilidades de terreno é “extremamente significativo”, apontando como exemplo o caso de Porto Brandão, no concelho de Almada, onde as derrocadas provocaram constrangimentos e riscos adicionais.
Apesar da expectativa de melhoria das condições meteorológicas, a Proteção Civil insiste que os próximos dias exigem cautela redobrada, uma vez que os solos continuam saturados e a acumulação de água mantém elevado o risco de cheias rápidas e deslizamentos.
O comandante nacional reforçou o apelo à população para adotar comportamentos preventivos, manter-se informada e evitar zonas potencialmente inundáveis ou instáveis, sublinhando que a vigilância hidrológica continuará a ser determinante enquanto persistirem efeitos do mau tempo.









