Ao longo desta semana, a Automonitor publica diariamente um artigo relacionado com o Projecto FST Novabase, desenvolvido pelos alunos de Engenharia do Instituto Superior Técnico (IST) e que se destina à participação na Fórmula Student, competição universitária a nível europeu. Este é o terceiro de quatro artigos, cada um com uma temática diferente.
Uma vez abraçada a tecnologia eléctrica em 2009, as equipas que têm passado pelo programa FST Novabase do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa têm desenvolvido novas e evoluídas soluções para os seus monolugares.
O FST 06e não é excepção, naquele que será o terceiro modelo totalmente eléctrico produzido naquela universidade, apresentando uma série de novidades ao nível da construção e da vertente técnica. Do anterior FST 05e foram retirados diversos ensinamentos em diversas áreas, tendo-se procurado, sobretudo, incrementar a fiabilidade do monolugar com vista à participação na edição deste ano da Fórmula Student.
“No desenvolvimento do FST 06e acabámos por apostar basicamente na mesma tecnologia que estava no FST 05e, mas com bastantes melhorias ao nível da telemetria e dos sensores, o que nos permitirá ter um melhor controlo de tudo. Mas o grande melhoramento será feito ao nível da fiabilidade, apostando numa simplicidade de processos que nos dá bastante mais segurança para que o carro esteja disponível para andar mal seja ligado, o que nem sempre é uma realidade para todas as equipas com carros eléctricos. Este ano contamos ter todos os problemas resolvidos e contar com um veículo bastante fiável e muito robusto”, começa por dizer João Paulo Monteiro, responsável pela área do Marketing do Projecto FST Novabase, lembrando que alguns dos problemas verificados na última edição contribuíram para melhorar a fiabilidade do novo monolugar.
De igual forma, aquele responsável apontou igualmente as grandes diferenças entre um veículo com motor térmico e outro com motor eléctrico, enaltecendo que cada tecnologia tem as suas especificidades.
“Um carro a combustão, tipicamente, é só colocar gasolina, ligar e pô-lo a andar. Um carro eléctrico é mais exigente, não só para o colocar em andamento, mas também para cumprir o regulamento, que é muito apertado, já que os juízes são mais ou menos desconfiados da nossa capacidade para trabalhar com electrónica de alta potência. Existem muitas restrições quanto à segurança da parte eléctrica”, acrescentou João Paulo Monteiro, abordando também os principais desafios que a equipa teve de superar no processo de desenvolvimento do FST 06e.
Muitas das alterações do monolugar deste ano derivam de imperativos regulamentares da Fórmula Student, os quais geralmente sofrem uma alteração de monta a cada dois anos. Para 2015, as principais mudanças verificam-se, então, em dois pontos fundamentais: aerodinâmica e componentes da electrónica de elevada potência. Relativamente à primeira, os novos regulamentos obrigaram à implementação de asas fixas, respondendo desta forma à fragilidade evidenciada por aqueles elementos nos últimos anos, cedendo sozinhos ou quando eram empurrados pelos comissários de pista. Já a segunda prende-se com a caixa de acomodação das baterias no chassis e com a parte técnica, verificando-se alterações ao nível da amperagem e voltagens permitidas na competição. O objectivo, segundo João Paulo Monteiro é aumentar a segurança das equipas e de todos os participantes na competição.
Ainda no que toca à aerodinâmica, o responsável indica que a alteração regulamentar ‘abriu a porta’ à eventualidade de abdicar das asas, mas no caso da FST Novabase isso não foi uma opção, “já que era algo em que queríamos continuar a apostar, porque é uma área de conhecimento que vem de trás e que queremos também passar para o futuro”. Daí a presença das asas no projecto final do FST 06e, que ganha agora forma nas instalações do Instituto Superior Técnico de Lisboa. Antes, uma parte importante do processo de construção teve lugar no Centro de Formação de Évora, infra-estrutura com os meios adequados ao nível técnico para a produção de elementos em fibra de carbono.
Fibra de carbono domina
Esse componente é, efectivamente, um dos que mais destaque tem na concepção do novo FST 06e, estando no cerne de uma grande novidade: a produção de uma monocoque integral em fibra de carbono (combinando rigidez e leveza). Com efeito, segundo João Paulo Monteiro, o carbono é a parte estrutural da monocoque, formando duas camadas superficiais, tendo alumínio como material de núcleo.
“O carbono é que é a parte estrutural, não o alumínio. O alumínio está entre duas camadas de carbono de forma a dar espessura à estrutura, mas tem uma resistência mínima comparado com o carbono. De qualquer forma sim, é uma estreia porque para usar alumínio como material de núcleo é preciso ter fibra
pre-impregnada e depois curada em autoclave [NDR: forno de grandes dimensões para utilização industrial], ao qual só tivemos acesso este ano”, afirma aquele responsável, que também sublinha novidades de composição ao nível das jantes, que contam também com fibra de carbono como material primordial, mas não único.
“Este ano as jantes não serão integralmente feitas em fibra de carbono, ao contrário do que tinha sido feito no FST 05e. O motivo para isto é uma maior facilidade de construção sem um aumento de peso significativo. Aliás, uma vez que diminuímos o diâmetro das jantes, o conjunto total acabou por ficar 15% mais leve”, explica João Paulo Monteiro, enaltecendo que desta forma a própria montagem dos pneus se torna simplificada.
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Em termos de objectivos para este ano, a equipa FST Novabase vai participar em três competições – Hungria, Espanha e Itália –, havendo expectativas diferentes para cada um desses eventos. “Em Espanha vamos porque é uma competição que existe há pouco tempo e somos das equipas mais assíduas desde o seu início. Foi também aí que obtivemos os nossos melhores resultados em 2011 e queremos repetir isso, nem que seja por uma questão de orgulho na equipa”, observou, explicando que existe uma micro-rivalidade saudável para com as equipas anteriores no sentido de que “quem está a construir o carro quer que seja sempre melhor do que o anterior”.
Já a competição italiana é destacada pela sua importância em termos de competição, sendo “das poucas competições na Europa que está inserida na competição principal da Fórmula Student a nível mundial que é a FSAE, a qual inclui provas nos EUA e no Brasil, pelo que ter uma boa classificação aqui implica também uma boa subida no ranking”.
Ainda assim, destacam que a prova mais importante a nível mundial tem lugar na Alemanha, onde no próximo ano o FST 06e será colocado à prova, tratando-se da competição “que mexe com muito mais gente”, havendo também que contar com a de Silverstone, que é outro dos objectivos expressos para o próximo ano.
Como nota das capacidades da equipa FST Novabase, João Paulo Monteiro e Beatriz Lopes, da área de marketing, destacam que em 2011, aquando da participação na prova de Espanha, a equipa do IST era a 12.ª melhor em termos mundiais.
PODE LER TAMBÉM OS DOIS PRIMEIROS ARTIGOS DEDICADOS A ESTE PROJECTO:
Projecto FST Novabase: Um palco para desenvolver competências (1)
Projecto FST Novabase: Desenvolvimento ‘made in Portugal’ (2)




