Faltando pouco mais de um mês para o fim da primavera climatológica, que termina a 31 de maio, começam a ganhar forma as primeiras tendências meteorológicas para o verão de 2026 em Portugal. Para quem planeia férias no país entre junho e agosto, os sinais iniciais apontam para um cenário dominado pelo calor, ainda que com possíveis surpresas, sobretudo nas regiões insulares.
As previsões são do portal especializado Tempo.pt, com base na mais recente atualização do modelo sazonal do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF), através do sistema SEAS5. Esta projeção resulta da análise de 51 ensembles e tem como referência o período climatológico 1993-2016, oferecendo uma primeira aproximação ao comportamento atmosférico esperado entre 1 de junho e 31 de agosto.
Camadas médias da troposfera reforçam sinal anticiclónico
Um dos principais indicadores analisados é o geopotencial a 500 hPa, parâmetro que permite avaliar a dinâmica das camadas médias da troposfera, situadas em média a cerca de 5500 metros de altitude. Valores elevados estão associados à expansão da troposfera e à presença de sistemas de altas pressões à superfície. Para o trimestre junho-julho-agosto (JJA), o modelo europeu aponta para uma probabilidade entre 60% e 70% de que Portugal continental registe valores médios acima do tercil superior do período de referência, sugerindo maior prevalência de tempo anticiclónico.
Nos Açores e na Madeira, essa probabilidade diminui ligeiramente, situando-se entre 50% e 60%. Esta diferença poderá traduzir-se num domínio menos expressivo de tempo estável nas regiões autónomas, embora esta tendência ainda careça de confirmação em futuras atualizações.
Temperaturas com tendência para valores superiores ao normal
No que respeita à temperatura do ar à superfície, o sinal quente apresenta-se consistente em grande parte do território continental e no arquipélago dos Açores. Destacam-se as regiões Norte, Centro e Alto Alentejo, onde a probabilidade de registo de valores acima do normal é considerada média a elevada.
Na Madeira, o sinal é ligeiramente menos robusto, mas ainda assim relevante. Já no extremo sul do continente, particularmente no Algarve, o modelo revela maior incerteza, não sendo possível identificar uma tendência clara. A análise específica para junho de 2026 reforça esta perspetiva, indicando anomalias térmicas positivas sobretudo no Norte, Centro e em várias zonas do Alentejo, em linha com a projeção para o conjunto do trimestre.
Possível aumento da precipitação nos arquipélagos
Apesar de o verão ser, por norma, a estação mais seca do ano em Portugal, o modelo europeu admite a possibilidade de precipitação acima do normal em algumas áreas insulares. Nos Açores, especialmente no Grupo Oriental, e na Madeira, a probabilidade de os valores ultrapassarem o tercil superior do período de referência situa-se entre 50% e 60%. Nos Grupos Central e Ocidental dos Açores, essa probabilidade varia entre 40% e 50%.
Esta eventual maior humidade poderá estar associada à menor probabilidade de geopotenciais elevados a 500 hPa nestas regiões, sugerindo um enfraquecimento relativo do domínio anticiclónico. No continente, prevalece a incerteza quanto à precipitação, mas importa recordar que as trovoadas de verão são fenómenos frequentes no interior, nomeadamente em distritos como Vila Real, Bragança, Guarda ou Beja.




