Preço do arroz dispara numa semana e faz subir custo do cabaz alimentar para mais de 242 euros

Entre 1 e 8 de outubro, o arroz carolino registou um aumento de 12 cêntimos por quilo, o que representa uma subida de 8%, passando a custar 1,56 euros por embalagem. Já o arroz agulha subiu 8 cêntimos (mais 5%), atingindo agora 1,69 euros por quilo.

Pedro Gonçalves
Outubro 9, 2025
11:27

O arroz carolino e o arroz agulha estão entre os produtos alimentares cujo preço mais subiu na última semana, segundo a mais recente análise da DECO PROteste. Entre 1 e 8 de outubro, o arroz carolino registou um aumento de 12 cêntimos por quilo, o que representa uma subida de 8%, passando a custar 1,56 euros por embalagem. Já o arroz agulha subiu 8 cêntimos (mais 5%), atingindo agora 1,69 euros por quilo.

A mesma análise indica que o cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste também ficou ligeiramente mais caro, com um acréscimo de 17 cêntimos, o que equivale a um aumento de 0,07% face à semana anterior. O custo total do cabaz é agora de 242,14 euros, valor que continua a evidenciar o impacto da inflação nos bens essenciais.

Apesar da subida semanal parecer residual, o acumulado ao longo dos anos é significativo. No início de 2025, o mesmo cabaz custava menos 5,98 euros, ou seja, menos 2,53%. Já em janeiro de 2022 — quando a DECO PROteste iniciou esta monitorização — o conjunto de produtos essenciais custava 54,44 euros a menos, o que representa uma diferença de 29%.

 

Como é calculado o preço do cabaz alimentar?
Desde janeiro de 2022 que a DECO PROteste acompanha semanalmente a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais. Todas as quartas-feiras, é analisado o custo total de um cabaz com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

O cálculo é feito a partir da média de preços de cada produto nas várias lojas onde está disponível. Somando os valores médios de todos os artigos, obtém-se o custo global do cabaz. O cabaz inclui 63 produtos, entre carnes, peixes, frutas, legumes, cereais, lacticínios e bens de mercearia.

Cereais, alface e cebola também registaram aumentos expressivos
Além do arroz, outros produtos registaram aumentos significativos entre 1 e 8 de outubro. Os cereais integrais subiram 24%, a alface frisada aumentou 18% e a cebola ficou 10% mais cara.

Se a comparação for feita com o início do ano — a 1 de janeiro de 2025 —, os produtos com maior subida percentual foram os brócolos, com um aumento de 40%, o café torrado moído, que subiu 39%, e a laranja, que encareceu 28%.

Desde o início da análise da DECO PROteste, em janeiro de 2022, destacam-se os aumentos da carne de novilho para cozer (mais 105%), dos ovos (mais 78%) e do café torrado moído (mais 77%).

A subida dos preços alimentares tem origem num conjunto de fatores acumulados desde 2022. A invasão da Rússia à Ucrânia afetou fortemente o abastecimento de cereais à União Europeia, nomeadamente a Portugal, numa altura em que o setor agroalimentar ainda enfrentava as consequências da pandemia de covid-19 e de uma seca prolongada.

A redução da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção — sobretudo de fertilizantes e energia — provocaram um incremento dos preços nos mercados internacionais, refletindo-se diretamente no bolso dos consumidores.

Em abril de 2023, o Governo português implementou a isenção de IVA sobre mais de 40 alimentos essenciais, medida que inicialmente ajudou a conter a subida de preços. Contudo, o efeito foi temporário e, meses depois, o custo do cabaz voltou a aumentar.

Já em 2024, após a reposição do imposto, os preços mantiveram a tendência de subida. Um exemplo foi o do azeite: em abril desse ano, uma garrafa de 75 centilitros chegou a custar 12 euros. Em 2025, o aumento tem sido mais notório em produtos como ovos, café torrado moído e chocolate.

Inflação abranda em setembro, mas pressão mantém-se
Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação média anual em 2024 fixou-se nos 2,4%, valor inferior aos 4,3% de 2023 e aos 7,8% de 2022, ano marcado por picos históricos.

Em abril de 2025, a inflação voltou a subir, mas as estimativas do INE indicam que em setembro terá abrandado para 2,4%, menos 0,4 pontos percentuais face a agosto. Ainda assim, os preços alimentares continuam entre os mais pressionados, refletindo as persistentes dificuldades do setor e os custos acumulados desde o início da guerra na Ucrânia.

Para mitigar o impacto das subidas, a DECO PROteste recomenda aos consumidores que compare preços entre supermercados antes de fazer as suas compras semanais. No simulador disponível na plataforma Saber Poupar, é possível verificar o preço do cabaz em várias cadeias de distribuição, pesquisar por distrito ou concelho e selecionar os tipos de produtos mais consumidos.

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