Portugueses consideram que médicos e professores deviam ganhar mais do que juízes e deputados

Mais de 70% dizem que médicos (38,9% ou professores (31,8%) deviam ganhar mais do que juízes (4,2%) ou deputados (1,6%). Já 8,1% considerou que deviam ganhar «todos por igual».

Executive Digest

Um estudo da Intercampus para o “Jornal de Negócios” mostra a preferência dos portugueses pela luta salarial dos profissionais que encontram nos hospitais e escolas. Mais de 70% dizem que médicos (38,9% ou professores (31,8%) deviam ganhar mais do que juízes (4,2%) ou deputados (1,6%). Já 8,1% considerou que deviam ganhar «todos por igual».

A  luta salarial dos médicos é, sobretudo, apoiada na zona de Lisboa e entre as classes mais baixas. Segundo informações prestadas pela Ordem dos Médicos, um recém-diplomado leva para casa cerca de 1.143 euros líquidos ao final do mês e após completar a especialidade, enquanto assistente, 1.772 euros no regime de 40 horas semanais. Excluindo as chefias de serviço, o topo da carreira é como assistente graduado, com os valores a subiram até 2.136 euros.



«No entanto, com os congelamentos na Função Pública os médicos têm sido afectados de duas formas: raramente existem concursos que permitam subir de categoria e, mesmo dentro da mesma categoria, na prática não acedem às posições remuneratórias mais altas», sublinha o organismo liderado por Miguel Guimarães.

Quanto aos professores, que são mais apoiados na zona Centro e pelas classes média e alta, a Federação Nacional dos Professores diz que aquilo que está nas tabelas nem sempre coincide com a realidade. Os contratados e no primeiro escalão, correspondente ao início de carreira, têm um vencimento base de 1.518 euros brutos por mês.

O último relatório do Conselho Nacional de Educação, divulgado em novembro, mostrou que 58% dos mais de 146 mil docentes do ensino pré-escolar ao secundário estão nos primeiros quatro escalões, isto é, ganham até 1.982 euros brutos. E «a grande maioria» dos restantes estão no 5.º, 6.º e 7.º. Apesar de 15% terem 60 ou mais anos, apenas 0,02% estão no 10.º e último escalão, auferindo o valor máximo de 3.364 euros.

No sentido inverso, os homens mais velhos, abastados e do Sul são os maiores defensores dos juízes, que em Agosto de 2019 viram Marcelo Rebelo de Sousa promulgar a revisão do Estatuto dos Magistrados Judiciais mas alertar para o acentuar da desigualdade de tratamento em relação a outras carreiras. A nova tabela, cedida pela associação sindical liderada por Manuel Soares, mostra 2.549 euros ilíquidos na categoria de ingresso, a partir de 6.119 euros para um juiz desembargador e coloca no topo um juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, com 6.229 euros. Todos recebem um subsídio de compensação que acaba de subir para 875 euros (livre de IRS e pago 14 vezes ao ano) e aos presidentes são ainda pagas despesas de representação até 20%.

Por fim, é também entre os mais velhos e nas classes altas, mas mais a Norte e no Alentejo, que mais se defende que os deputados deviam ganhar melhor. A remuneração base é de 3.624 euros, mas, consoante os casos, podem ir somando várias parcelas (despesas de representação, ajudas de custo, subsídio de deslocação, etcétera) até atingirem um montante líquido superior a cinco mil euros.

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