O promotor responsável pelo caso na Geórgia decidiu retirar as acusações criminais contra Donald Trump e os restantes arguidos inicialmente apontados como cúmplices numa alegada tentativa de reverter o resultado das presidenciais de 2020 no estado.
Pete Skandalakis, diretor executivo do Conselho de Procuradores da Geórgia, justificou a decisão com a inexistência de uma “perspetiva realista” de levar a julgamento um presidente em exercício.
Com esta decisão, Trump vê arquivado o último dos quatro processos criminais que marcaram a campanha eleitoral do ano passado. O ‘El Confidencial’ recordou que o então candidato já tinha conseguido afastar as restantes acusações após regressar à Casa Branca, beneficiando da impossibilidade de o Departamento de Justiça processar um presidente em funções. No caso da Geórgia, Trump enfrentava 13 acusações, incluindo a violação da lei estadual RICO, normalmente aplicada a crimes de conspiração e extorsão.
O processo incluiu momentos de elevada tensão política. Antes da confirmação da derrota, Trump telefonou ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, pedindo para “encontrar 11.780 votos” que lhe permitissem inverter o resultado. A margem de vitória de Joe Biden no estado foi de apenas dois décimos. Trump sempre alegou fraude eleitoral, sem que tenham surgido provas que sustentassem a acusação.
Um caso marcado por polémicas internas
O julgamento acabou ainda por ser afetado pela polémica em torno da relação entre Fani Willis, a procuradora do Condado de Fulton responsável pela acusação, e Nathan Wade, um dos elementos que integrava a equipa. A relação pessoal entre ambos desencadeou uma batalha judicial que terminou com a saída de Wade e contribuiu para atrasar o processo. Foi neste caso que Trump se deslocou à prisão de Atlanta para tirar a fotografia policial que acabaria por transformar num símbolo de perseguição judicial e, mais tarde, num elemento central da sua estratégia de comunicação política.
Outros processos também já arquivados
Além da investigação na Geórgia, Trump tinha sido acusado no Distrito de Columbia por alegadamente incitar o ataque ao Capitólio, em 2021, e na Florida por retenção ilegal de documentos confidenciais. Ambos os processos federais foram arquivados após a vitória eleitoral de novembro, uma vez que não é possível processar criminalmente um presidente em exercício.
Em Nova Iorque, o antigo presidente foi condenado por falsificação de registos comerciais para silenciar a ex-atriz pornográfica Stormy Daniels durante a campanha de 2016, mas a sentença acabou suspensa após o regresso de Trump ao poder.














