Polícias preparam a “maior manifestação de sempre”

PSP e GNR vão manifestar-se amanhã em frente à Assembleia da República. Exigem aumentos salariais e unem-se por um novo fenómeno: o Movimento Zero (M0), o grupo anónimo formado por milhares de agentes da PSP e militares da GNR zangados com o Governo, revoltados com as chefias e pouco crentes na eficácia dos sindicatos, avança o jornal “Expresso”.

A manifestação terá início esta quinta-feira às 13h no Marquês de Pombal, em Lisboa, e segue para a Assembleia da República, onde os agentes e militares ficarão concentrados durante horas.

O Expresso contactou um administrador da página do Facebook do Movimento Zero que negou que o grupo seja anónimo : “Tem nome, do qual fazem parte elementos da GNR e PSP”. Só não se identificam “por medo de represálias”. E assume que não acreditam nos sindicatos da polícia: “Claro que não, senão este movimento não teria sido criado”; nem na negociação: “Não temos que negociar, só tem que dar o que é nosso por direito, não estamos para negociar como fazem os sindicatos, nos só queremos o que reivindicamos” E como? “Não há negociação e não será permitido qualquer ato de violência”.

O Movimento Zero disponibilizam packs mediante cinco euros e existem em duas modalidades: um tem uma caneta, um bloco A6, uma pulseira de silicone e um porta-moedas. O outro tem uma t-shirt branca ou preta com o nome do grupo anónimo.

De acordo com a página do Facebook do Movimento, o pack dá um euro de lucro que será usado para “dinamizar e espalhar a mensagem do M0” e para “angariação de fundos para investir em formas de luta”. O grupo está a preparar transportes para levar os polícias à manifestação de 21 de Novembro e garante que não irá tolerar “comportamentos menos próprios” porque os seus elementos não são “bandidos ou arruaceiros” nem estão “ligados a extremismos”. E afirmam: “Queremos manter a nossa luta por tempo indeterminado.”

“O M0 surgiu em Maio de 2019 e já teve algumas aparições, sendo a mais notória a que ocorreu no dia da polícia, em Julho de 2019: viraram costas quando o director nacional discursou e saíram de cena fazendo um zero com os dedos quando o ministro Eduardo Cabrita tomou a palavra. Esta é a primeira vez que vão participar organizadamente numa manifestação de polícias”, esclarece o mesmo orgão.

“Não acho que o risco de violência seja maior só porque o Movimento zero vai participar”, diz Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP), o maior sindicato da PSP que organizou a manifestação juntamente com a Associação de Profissionais da Guarda (APG), da Guarda Nacional Republicana, em declarações ao jornal “Expresso”. “As intervenções públicas que fizeram foram sempre pacíficas. É verdade que por serem uma entidade anónima isso os torna mais imprevisíveis mas não creio nem temo cenas de violência ou desordem na manifestação”.

César Nogueira, presidente da APG tem a esperança que esta seja a “maior manifestação de sempre das polícias”. A organização conta que o Movimento Zero contribua para aumentar o número de protestantes em Lisboa já que se trata de “uma plataforma muito numerosa”. E não antevê problemas de maior. “Vamos estar muito atentos”, promete ao mesmo jornal.

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