Por Miguel Marecos, cofundador e co-CEO da Matoaka
Após um período de incertezas económicas e tensões geopolíticas que têm agitado nações e negócios por todo o globo, as consultoras e bancos de investimento internacionais antecipam um cenário otimista para o mercado global de fusões e aquisições (M&A) para 2025, sendo a palavra de ordem “retoma”.
A revitalização há muito esperada é impulsionada tanto por taxas de inflação como de juros mais baixas, e pela recuperação das avaliações. O ambiente regulatório mais favorável e mercados de capitais mais fortes também são vistos como fatores positivos que poderão impulsionar esta transformação generalizada.
Mas o ponto de partida não é igual para todos, uma vez que nem todos os países foram afetados pelo contexto macroeconómico da mesma forma. Segundo a Bain & Company, o valor global das operações de M&A atingiu cerca de 3,5 biliões de euros o ano passado, representando um aumento de 13% em relação a 2023. Contudo, Portugal foi contra a maré ao registar uma queda de 41% para aproximadamente 2,69 mil milhões.
Nesta linha, as perspetivas para o mercado de fusões e aquisições em Portugal para 2025 apontam para uma recuperação moderada, com vários fatores a contribuir para este otimismo cauteloso, entre os quais a estabilização da dívida e um aumento significativo nas transações envolvendo empresas de tecnologia, especialmente em áreas como inteligência artificial e segurança cibernética. De facto, segundo a TTR Data, o setor de tecnologia foi o segundo com mais negócios em Portugal no ano passado, com 70 transações, ficando atrás apenas do setor imobiliário. Além disso, os setores do Turismo e das Energias Renováveis deverão contribuir positivamente para esta mudança de paradigma.
No segmento das micro e pequenas empresas também se espera algum otimismo com a digitalização crescente das empresas e a consolidação setorial a impulsionarem o mercado. Apesar dos desafios, estas tendências sugerem que existem oportunidades para micro e pequenas empresas no mercado de M&A em Portugal em 2025, especialmente para aquelas que se adaptarem às novas tecnologias e práticas de negócio.




