Parlamento debate Programa de Estabilidade 2023/2027: Chega e BE vão chumbar projeto do Governo

Executivo inscreveu uma revisão em alta da previsão de crescimento da economia portuguesa para este ano

Francisco Laranjeira

Fernando Medina vai trazer para discussão, esta quarta-feira, o Programa de Estabilidade 2023-2027 na Assembleia da República.

Recorde-se que no documento, o Executivo inscreveu uma revisão em alta da previsão de crescimento da economia portuguesa deste ano, para 1,8% (face aos 1,3% previstos em outubro), da taxa de inflação, para 5,1% (quando anteriormente apontava para 4%), e revê em baixa o défice orçamental, prevendo que se situe em 0,4% este ano, abaixo dos 0,9% inscritos no Orçamento do Estado para 2023.



Já quanto ao rácio da dívida pública, estima que baixe para 107,5% este ano e fique abaixo dos 100% em 2025, enquanto a taxa de desemprego deve situar-se nos 6,7% este ano, acima dos 5,6% apontados anteriormente. O Governo anunciou que os pensionistas irão ter um aumento intercalar de 3,57% a partir de julho deste ano e a correção da base das pensões em 2024, para aplicação integral da fórmula de atualização prevista na lei.

Medina confirmou que “não existem medidas novas” no Programa de Estabilidade mas sim a confirmação de uma fórmula que tem dado resultados, no aumento do emprego, na melhoria das remunerações, na redução da dívida e no controlo do défice das contas públicas. “Trata-se de uma estratégia económica que funciona”, frisou.

Chega e Bloco de Esquerda chumbam iniciativa do Governo

No entanto, o programa do Governo já vai ser alvo do chumbo do Chega, conforme anunciou na passada 2ª feira André Ventura. O Chega entregou no Parlamento um projeto de resolução pela rejeição do Programa de Estabilidade considerando que falha “no dever fundamental de ir ao encontro das dificuldades que os portugueses estão a sentir” atualmente.

“A rejeição não tem nenhum objetivo político de fazer cair o Governo, é apenas uma sinalização de que este não é o caminho certo do ponto de vista da política económica e fiscal que o Governo deve seguir”, apontou o líder do Chega, que apelou à direita parlamentar que acompanhe esta iniciativa, dando “um sinal de unidade na rejeição ao Programa de Estabilidade”. “O que esperamos é que a direita seja capaz de se unir nesta rejeição para dar um sinal também ao Presidente da República e ao país de que temos uma alternativa e que a nossa alternativa começa já por rejeitar a política económica do PS”, apontou.

Também o Bloco de Esquerda manifestou a intenção de chumbar o projeto do Governo de António Costa. “Consideramos que o plano do Governo para o país empobrece a população e desprotege os serviços públicos em Portugal”, afirmou Catarina Martins, líder dos bloquistas.

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