Paddy Cosgrave o senhor 11 milhões

Consciente do papel sério que a Web Summit tem, até na forma como as pessoas vivem o futuro, Paddy Cosgrave quer revolucionar o panorama tecnológico e, quem sabe, criar realidades. Um amanhã cheio de missões.

Apelidada de “Olimpíadas da Tecnologia” ou “Davos para Geeks”, a Web Summit posiciona-se como a maior conferência de tecnologia do mundo, mas quer ser mais. Trazer ao panorama tecnológico entretenimento, criatividade e divertimento, revolucionar a área e se possível criar realidades. Estas são algumas das muitas vontades de Paddy Cosgrove para a Web Summit.

Nunca lhe passou pela cabeça que o encontro que desenhou na Irlanda, há 18 anos, para 150 pessoas ganhasse tal dimensão e em Portugal – só na última edição reuniu mais de 70 mil pessoas. Foi aqui, no nosso País, que encontrou terreno fértil para o que queria. Já o ecossistema das startups vibrava, já a comunidade empreendedora crescia, uma mão cheia de motivos para a escolha, ainda assim pode-se dizer com segurança que a ele muito se deve por Portugal estar hoje no mapa como hub tecnológico. Aliás, o País foi descrito pelo The Wall Street Journal como “uma das estrelas mais brilhantes da Europa, onde as startups tecnológicas proliferam e o investimento continua a aumentar”.

No ano passado, Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit, António Costa, Primeiro-ministro de Portugal e Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, anunciaram que Lisboa continuará a ser a cidade anfitriã da Web Summit durante a próxima década e vai arrecadar em apoios públicos 11 milhões ao ano, num total de 110 milhões.

O CEO e fundador da Web Summit vive com pressas e a unir esforços para oferecer uma grande experiência a todos aqueles que participam no evento. Antes de se meter num avião, estivemos à conversa sobre tecnologia (obviamente), a questão do ódio, da liberdade de expressão, a diversidade e a sustentabilidade.

A primeira Web Summit foi um encontro para 150 pessoas na Irlanda. Alguma vez imaginou o sucesso deste evento?

Em 2010, quando decidimos criar a Web Summit, começámos com uma ideia simples: ligar a comunidade tecnológica a todos os sectores. À medida que os anos passaram, a Web Summit cresceu e tornou-se a “maior conferência tecnológica do mundo”, mas é muito mais que isso. É criar ligações e oferecer a oportunidade de ouvir algumas das pessoas mais influentes do mundo a falar não só de tecnologia, mas de media, desporto, política e mais.

E isto também acontece porque, num novo mundo global e digital, a tecnologia e as inovações têm impacto em todas as realidades da vida e estão no centro de tudo o que fazemos. É por isso que temos diferentes palcos e 25 conferências diferentes dentro da conferência, para debatermos todas as realidades relacionadas com a tecnologia, quer falemos sobre ambiente, desporto, moda ou política. Claro que esta nova realidade cria novos desafios, mas também traz muitas vantagens. Basta pensar nas novas possibilidades que podem nascer na medicina, por exemplo, graças às novas tecnologias.

Recorde-me a história da escolha de Portugal para acolher a Web Summit?

Escolhemos Lisboa por várias razões, incluindo o panorama das startups em crescimento e a comunidade tecnológica e incrivelmente acolhedora em Lisboa. Todos em Portugal continuam a ser muito prestáveis. A comunidade tecnológica local, o Governo e as agências locais têm um papel fundamental no sucesso da Web Summit. Eles valorizam a tecnologia e querem colocar Portugal no mapa como hub tecnológico. Queremos desenvolver relações ainda mais fortes aqui em Lisboa nos próximos anos.

São como as “Olimpíadas da tecnologia” ou mais “Davos para geeks”?

Essas foram as primeiras comparações feitas por alguns meios de comunicação. Contudo, gostamos de pensar que não é apenas para geeks ou apenas tecnologia. Graças à forma como a tecnologia cresceu e passou a englobar todas as realidades, há um pouco de tudo para todos.

Sente que acabou por revolucionar, juntamente com a equipa, a forma como as pessoas se reúnem em torno da tecnologia e do empreendedorismo?

Sem dúvida. A tecnologia e o empreendedorismo já não são cinzentos e formais. Conseguimos levar a criatividade, o entretenimento e o divertimento a essas áreas, continuando a tratá-las como o rigor e seriedade devidos.

Apesar de nos divertirmos a fazer a Web Summit, temos noção – e certificamo-nos de que os participantes e parceiros também têm – de que são questões sérias, que influenciarão a forma como as pessoas viverão no futuro.

E já disse que isto era apenas o começo. O que preparam neste campo?

Tencionamos investir nos aspectos fundamentais que estimularam o nosso sucesso – a nossa tecnologia, os nossos eventos e a nossa equipa.

Anunciaram a manutenção do acordo por mais 10 anos em Lisboa. Isto depois de um longo processo de negociação, que durou mais de um ano e que envolveu ofertas de mais de 20 das maiores cidades europeias – incluindo Berlim, Paris, Londres, Madrid, Milão e Valência. Porquê a escolha de Lisboa?

Quando chegámos a Lisboa pela primeira vez, percebemos que algo estava a acontecer. E tem sido espantoso ver esta evolução. O ecossistema nacional das startups está a florescer duas vezes mais depressa do que a média europeia, segundo um estudo da Startup Europe Partnership. As grandes empresas tecnológicas também prestaram alguma atenção a isto.

Como vê a entrada em Portugal de gigantes tecnológicas, como a Google?

O hub digital da Google, a Daimler e a Uber já aceleraram para Lisboa. A Mercedes Benz escolheu Lisboa para abrir o seu novo Digital Delivery Hub, a partir do qual serão criados produtos e soluções tecnológicas para todo o mundo. A Euronext, a Vestas e a Fujitsu escolheram o Norte, e a Amazon pode ser a próxima.

O que é que um evento desta envergadura pode trazer para o país de acolhimento?

Desde 2010, as startups portuguesas que se apresentaram na Web Summit já angariaram 78 milhões de euros. De acordo com dados da Startup Europe Partnership, este valor representa quase um terço dos 273 milhões de euros angariados por startups portuguesas desde 2010.

As startups portuguesas que se apresentaram na Web Summit desde 2014 angariaram 33 milhões de euros. No ano passado, um dos investimentos valeu 21 milhões de euros.

Este ano, a Web Summit realiza-se de 4 a 7 de Novembro, que novidades têm planeadas? Quais são as principais mensagens que têm intenção de passar?

Esperamos que seja a maior e melhor Web Summit de sempre. Estamos entusiasmados com a quarta Web Summit em Lisboa e por darmos as boas-vindas a mais de 70 mil participantes de mais de 170 países.

Em termos de oradores, quais destaca? Já confirmámos várias figuras de destaque como o presidente da Freedom of the Press Foundation, a comissária da União Europeia para a Concorrência, Presidente e Chief Legal Officer da Microsoft, o chairman da Huawei, a CEO da Wikimedia Foundation, o homem responsável por liderar as negociações do Brexit, o Chief Product Officer da Uber, a Chief Digital Officer do IKEA, entre outros.

No ano passado, sentiu necessidade de retirar o convite a Marine Le Pen, mas a pergunta que lhe coloco é porque é que a convidou?

Tendo em conta os conselhos que recebemos e a enorme reacção online da noite para o dia, a sua presença seria desrespeitosa, em particular para o país que nos acolhe. É também desrespeitoso para com as dezenas de milhares de participantes que se juntam a nós vindos de todo o mundo.

A questão do ódio, da liberdade de expressão e das tecnologias de plataformas foi uma das principais questões de 2018. Iremos redobrar os esforços para abordarmos esta questão difícil na Web Summit com mais cuidado.

Actualmente, quais é que são as suas principais preocupações?

Não estamos preocupados, estamos simplesmente concentrados em oferecer uma grande experiência para cada participante na Web Summit.

A iniciativa “Women in Tech” contou com cerca de 200 participantes e 60 mentores. Continua a fazer sentido iniciativas desta envergadura? A área tecnológica continua a ser maioritariamente masculina ou de discriminação do género feminino?

Sabemos que o sector tecnológico tem muito que fazer para aumentar a diversidade, e o sector das conferências tecnológicas não é diferente.

Encorajámos milhares de empreendedoras a participarem nos nossos eventos. Só este ano, oferecemos 10 mil bilhetes a mulheres na área tecnológica. Mas sabemos que há mais a fazer.

O nosso rácio dentro da Web Summit é de 48% colaboradoras e 52% colaboradores, ao todo.

A Web Summit, o Governo Português e a Câmara Municipal de Lisboa estão também comprometidos, em obter resultados ambiciosos ao nível da sustentabilidade. Pode detalhar?

Tanto a Web Summit como o Governo português estão empenhados em atingir objectivos de sustentabilidade altos. A eliminação do plástico de utilização única, uma política de desperdício zero de alimentos, até a modificação e reutilização de materiais de construção, são apenas alguns das a serem considerados.

Prevê aumentar o escritório de Lisboa com 100 novas contratações. Qual o perfil que procuram?

Ainda é demasiado cedo para entrar nesses pormenores. Claro que iremos olhar para pessoas que têm bons conhecimentos e que se sentem atraídas pelo mundo da tecnologia. E isto não significa que estamos à procura apenas de engenheiros. A tecnologia faz parte do nosso dia-a-dia, e a Web Summit é o melhor lugar para alguém que partilha/vive esta ideia, quer seja designer, gestor de projecto, produtor, vendedor, assistente ou até voluntário.

Como é composta a sua equipa actual?

Temos cerca de 250 colaboradores em vários escritórios por todo o mundo. A média de idades é de cerca de 31 anos agora, algo que tem crescido consistentemente ao longo do tempo.

E este ano, qual será a estratégia da Web Summit? O que pode revelar?

Será certamente uma actualização de 2018 e das edições anteriores. O nosso objectivo é reinventar a Web Summit em cada edição, por isso continua a ser o que se tornou: a maior conferência tecnológica do mundo.

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