Opinião de Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
Portugal e a Europa não têm competitividade. Quando olhamos para as 500 maiores empresas europeias (em volume de negócio), Portugal tem apenas 4 no ranking da Forbes 2024. 2 de distribuição (Jerónimo martins e sonae), 2 de energia (Galp e edp). A Irlanda tem 21, a Holanda 34, a Suécia 22, a Polónia tem 8. O campeão continua a ser a Alemanha com 78 empresas (a número 1 é a Volkswagen) logo seguido do Reino Unido com 77. A mais rentável atua nos serviços financeiros, de origem Suíça, a UBS. Ou seja, Portugal não tem escala e não tem futuro. Pois 64% das 50 companhias com mais futuro e potencial de crescimento no futuro, são TI’s. Nenhuma de distribuição ou de energia mas sim as de inovação tecnológica e IA, seguidas das dacàrea de saúde e telecomunicações. Não temos nenhuma com alguma escala europeia (nem falemos de escala mundial) nestes segmentos. E quando olhamos para as 50 identificadas com um futuro mais promissor, a Atlassian (EUA da àrea de TI), é a número um. 40 são de origem Americana, da área das TIs e de telecomunicações. A China tem 3, a Europa 3 e o Canadá 2 empresas “tomorrow winners”. Daí o meu prognóstico da atual e futura falta de competitividade portuguesa e europeia. Quem olha para o ranking das 500 maiores empresas europeias, tem ecos do ranking da fortune de há 20 anos, antes da Google e a Meta se terem transformado centrais na nossa vida. É um ranking dominado pelo setor automóvel, de energia e financeiro. Setores que estão e irão continuar a sofrer uma “crise de médio / longo prazo” à medida que o mundo se torna blocal e aumenta a competição com a China e agora com os EUA.
O único caminho para a Europa é o da inovação ou pela menos a sua adoção prematura. Mas só foram identificadas 15 “tech companies” na Europa, enquanto nos EUA são três vezes mais. Com outro grande desafio: escala. A Europa continua a ser o maior mercado singular, mas é afectado por uma teia complexa nacional e europeia de regulação que estilhaça a sua “dimensão”. Talvez por isso nunca conseguimos criar na Europa, uma nova “Google”. A inovação é o motor de crescimento e competitividade, só que o centro de gravidade regressou aos EUA. São companhias de software, de IA e TI’s, biotech e energia “limpa”. Em Portugal e na Europa continuamos a ter apenas uma empresa relevante de IA e software. E esta será um grande motor do crescimento, pois os negócios mudam da exploração da IA generativa para a sua adoção. A par do nosso continente, está a China. O seu futuro promissor também desapareceu. O ecossistema de inovação enfrenta fortes desafios económicos, um apertado controlo governamental do sector “tech”, baixo investimento e financiamento. Investimento esse em grande parte público, que regularmente is Kara universidades ou empresas que se destacavam.
Talvez por tudo isto seja oportuno lembrar o quanto os “pés de um elefante” destroem à sua passagem. A centralidade do futuro desiquilibrou-se para Oeste quando se vai inaugurar um novo ciclo político estratégico com a nova presidência no continente americano, nem de esquerda, nem de direita. A estratégia de WIIFM – “What’s In It For Me?”. E os pés de elefante estilhaçaram a previsibilidade ideológica mas reforçaram todo o seu arsenal económico, de conhecimento e I&D.
Sabendo tudo isto, vamos continuar a insistir nos repetidos erros Europeus e Portugueses?




