Os melhores activos

Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.

Por Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos

A frase é do escritor brasileiro Érico Veríssimo. E se este autor é hoje, talvez, menos popular que em tempos idos, a frase mantém todo o seu sentido. Nunca se falou tanto em mudança. E nunca, como hoje, ela se tornou tão neces- sária. Muitas vezes enunciamos a palavra temendo, afinal, que a mudança se concretize mesmo e que nós sejamos ultrapassados pela velocidade do tempo.

Nos últimos tempos, o vento da mudança acentuou-se na Caixa Geral de Depósitos. Uns levantaram barreiras. Foi tudo muito lento, clamarão alguns. Isto foi demasiado depressa, dirão outros. Na nossa perspectiva, não é assim. Na última década, a mudança adveio principalmente da tecnologia e da regulação, mas também de outros factores externos, que exigem velocidade de adaptação a um mundo cada vez mais rápido, com um grau de exigência sem paralelo em termos de escrutínio, governance e alteração das preferências dos consumidores. É imperativo acompanhar a dinâmica, os anseios e o clamor das famílias, das empresas e da sociedade em geral. Sentimos a obrigação da urgência nas respostas.  E acompanhamos uma transformação que é parcialmente imposta, mas que também é desejada.

Qual é a importância estratégica que as pessoas, no geral, e a Gestão de Pessoas, em particular, assumem actualmente no negócio?

A de desejavelmente liderarem e protagonizarem a mudança necessária, conseguindo ser autores e actores, e não apenas observadores ou comentadores.

O QUE SE VAI PASSAR?

Todas as alterações a que estamos a assistir dependem, em última análise, das pessoas. E da forma como as pessoas estão disponíveis para:

– A mudança com propósito; não uma mudança qualquer, ao sabor das circunstâncias e do improviso, mas seguindo um caminho claro e, também ele, qualificado;

– O compromisso em relação aos objectivos da equipa e da organização no seu todo;

– A aquisição de novas competências e a disponibilidade e capacidade para aprender num contexto de permanente adaptação a novos desafios.

De acordo com um estudo do Financial Times de 2018, os skills mais procurados no mercado de emprego são: a capacidade de trabalhar com pessoas diferentes e de constituir equipas vencedoras, a capacidade de gerir o tempo e de priorizar, a capacidade de construir e expandir uma rede de conhecimentos e a capacidade de resolver problemas complexos.

Estamos perante um contexto sem precedentes para a banca. Como podemos garantir um futuro forte? “Batalhando” pelo foco no cliente e mantendo a preocupação com a eficiência no presente e cuidando em simultâneo do futuro, respondendo às novas dinâmicas competitivas, como a do digital.

A MUDANÇA QUE FALAMOS ESTÁ PARA FICAR

Sem darmos por isso, a forma como “sempre fizemos” já não serve, envelheceu e ficou obsoleta. É isso que dizemos, mas não tiramos todas as consequências inerentes.

Como conquistamos os desafios? Com persistência e em equipa, com o envolvimento dos colaboradores e com o seu conhecimento. Com autonomia, partilha, optimismo, intuição, empenho, cooperação, criação. Falemos de palavras como liberdade, criatividade, confiança, propósito, compromisso e competências. Na Caixa fazemos destas palavras, já antigas e de todos conhecidas, o tópico decisivo para uma permanente, ágil e útil mudança das pessoas e das organizações.

No mundo árido da gestão bancária, mais necessárias se tornam as palavras dos poetas. Que nos transmitem com beleza ideias precisas e simples. “Temo (…) o destino. Nada é certo./Em qualquer hora pode suceder-nos/O que nos tudo mude”. Que este sentimento de dúvida de Ricardo Reis não seja o nosso. Não tomemos como nossa a dúvida de Bernardim Ribeiro “Antre tamanhas mudanças,/que cousa terei segura?/ Duvidosas esperanças,/tão certa desaventura…”. Pensemos antes, jubilosamente, como Luís de Camões, que “Todo o mundo é composto de mudança,/Tomando sempre novas qualidades”. Não temamos. E preparemo-nos para novas e decisivas mudanças.

Na Caixa estamos a protagonizar novas e decisivas mudanças, com uma elevada diversidade de características dos nossos colaboradores. Alinhamos essas capacidades com o propósito do seu trabalho, com a aquisição de novas competências. É crucial o seu compromisso com a instituição, com os clientes e com os objectivos inerentes a um caminho claro que nos é exigido. Essas são as pessoas certas, o melhor activo de qualquer empresa.

Este artigo foi publicado na edição de Maio de 2019 da Executive Digest.

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