A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que milhões de pessoas venham a ser severamente afectadas pelas alterações climáticas. O alerta foi deixado esta terça-feira à “Reuters” por Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), à margem do Fórum Económico Mundial de Davos, que decorre até sexta-feira na Suíça.
Grandi disse que «quem abandona o seu país devido a situações de clima extremo não pode ser obrigado a voltar, se correr risco de vida», reafirmando que devem receber protecção internacional, numa referência a um caso antigo: o de Ioane Teitiota, de Kiribati, que pediu asilo à Nova Zelândia em 2013 como refugiado climático e que, depois de deixar acidentalmente expirar o seu visto temporário, foi repatriado em 2015. O Conselho de Direitos Humanos da ONU deu-lhe ontem razão, abrindo-lhe assim caminho para uma futura protecção das pessoas ameaçadas pelas alterações climáticas.
«Devemos estar preparados para uma grande onda de pessoas a sair dos seus países contra a sua vontade», acrescentou. Contas feitas, «estamos a falar de milhões [de pessoas]».
E exemplifica: incêndios florestais – como aqueles que devastam a Austrália desde Setembro passado -, o aumento do nível do mar, a destruição de colheitas e gado na África subsaariana e inundações por todo o mundo, inclusive em países desenvolvidos, estão entre os principais factores de risco.
O responsável fez também notar que os países mais ricos podem tornar-se na porta de entrada mais óbvia dos refugiados. E, reafirmou, este «é um desafio global que não pode ser confinado a alguns países».







