A pandemia do novo coronavírus é «apenas uma simulação de incêndio» daquilo que provavelmente vai acontecer depois da crise climática.
O alerta foi dado esta segunda-feira pela directora executiva da Organização das Nações Unidas (ONU), Lise Kingo, que considera que os protestos contra o racismo, reflectem a necessidade de se conciliar igualdade social, sustentabilidade ambiental e saúde, avança o ‘The Guardian’.
«O problema geral é que a forma como vivemos e aquilo que produzimos actualmente não é sustentável», referiu a responsável, sublinhando que «o único caminho a seguir é a criação de um mundo que não deixe ninguém para trás», revela em entrevista ao ‘The Guardian’.
Kingo disse ainda que existem «ligações muito, muito claras» entre a Covid-19, as crises climáticas e os protestos do movimento ‘Black Lives Matter’, que ocorrem contra o racismo em todo o mundo e que ajudaram a revelar desigualdades profundas.
«Temos vindo a chamar a atenção para o facto de que as questões de desigualdade social fazem parte da agenda do desenvolvimento sustentável», disse Kingo.
Os direitos humanos são «inseparáveis» da crise climática, disse. «Este racismo horrível (refere-se à morte de George Floyd) é sobre direitos humanos. Temos que garantir que damos à parte social da agenda um foco igual», afirmou.
Kingo apelou ainda à atenção dos líderes empresariais: «Queremos que todos os executivos se tornem activistas sociais, entendam a igualdade social», disse. Não é apenas a coisa certa a fazer, mas também «ajuda a criar mercados estáveis para empresas em todo o mundo» e reflecte os desejos dos jovens.
Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a construção de uma sociedade mais justa seria essencial para a saúde do mundo, para além de que possibilitaria a salvação do planeta da quebra do clima e da destruição ecológica.
«Actualmente, a estrutura da sociedade e o bem-estar das pessoas dependem de nossa capacidade de construir uma globalização justa», disse o responsável na conferência virtual de dois dias do ‘Global Compact’ da ONU, que começou esta segunda-feira.
«Se antes ‘não fazer mal’ era uma abordagem comum para a comunidade empresarial, hoje chegamos a um novo cenário de expectativas e responsabilidades elevadas. Mas, apesar do progresso, existem ameaças sérias que prejudicam o nosso futuro, incluindo alterações climáticas, pobreza, perda da biodiversidade e aumento das desigualdades sociais. A pandemia acentuou as fragilidades do mundo, que se estendem muito para além do âmbito da saúde global», afirmou Guterres.







