Um novo malware está a preocupar especialistas em cibersegurança e poderá já estar escondido em milhares de dispositivos Android. A ameaça, chamada Keenadu, foi identificada em vários países, com Espanha entre os mais afetados, segundo noticia o ‘El Economista’, que cita dados da empresa de segurança digital Kaspersky.
O que torna este vírus particularmente inquietante é a forma como consegue infiltrar-se nos equipamentos. O Keenadu pode surgir pré-instalado diretamente no firmware do telemóvel, estar integrado em aplicações do sistema ou até ser descarregado a partir de lojas oficiais como a Google Play. Ou seja, mesmo utilizadores mais cautelosos podem ser apanhados de surpresa.
De acordo com os dados divulgados, mais de 13 mil dispositivos em todo o mundo estavam infetados até fevereiro de 2026. Numa primeira fase, o objetivo principal passa por fraudes publicitárias: os telemóveis comprometidos transformam-se em bots que geram cliques automáticos em anúncios, alimentando esquemas fraudulentos. No entanto, algumas variantes vão muito mais longe.
Conforme detalha o ‘El Economista’, certas versões do Keenadu funcionam como uma verdadeira “porta dos fundos”, permitindo aos cibercriminosos assumir controlo total do dispositivo. Isso significa que podem infetar aplicações já instaladas, descarregar novos ficheiros APK, alterar configurações e conceder permissões totais a software malicioso.
Na prática, ficam em risco fotografias, vídeos, mensagens, dados de localização e até credenciais bancárias. Num dos casos analisados, o malware estava incorporado numa aplicação do sistema responsável pelo reconhecimento facial, o que levanta dúvidas adicionais sobre a eventual exposição de dados biométricos. Noutros episódios, foi encontrado na aplicação de ecrã inicial do sistema, posição que lhe garante privilégios alargados dentro do telemóvel.
A integração em componentes considerados “de confiança” torna o Keenadu especialmente difícil de detetar e remover. O utilizador pode continuar a usar o equipamento sem notar qualquer comportamento estranho, enquanto o malware opera em segundo plano.
Num fim de semana em que muitos aproveitam para relaxar, talvez valha a pena reservar alguns minutos para verificar atualizações pendentes, rever permissões concedidas às aplicações e confirmar se existe uma solução de segurança ativa no smartphone. Afinal, o telemóvel é hoje carteira, álbum de fotografias, agenda e banco — tudo no mesmo bolso





